Offline
Ataques ofuscam propostas no último debate entre Lula e Bolsonaro
Publicado em 29/10/2022 10:03
Eleições

(crédito: MAURO PIMENTEL / AFP)

A última cartada da mais tensa e violenta disputa presidencial já vista no país desde a redemocratização foi dada nesta sexta-feira (28/10) à noite, no debate da TV Globo. Frente a frente, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta voltar ao poder depois de dois mandatos entre 2002 e 2010, passaram a maior parte do programa trocando acusações e deixando em segundo plano propostas de governo.

A última cartada da mais tensa e violenta disputa presidencial já vista no país desde a redemocratização foi dada nesta sexta-feira (28/10) à noite, no debate da TV Globo. Frente a frente, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta voltar ao poder depois de dois mandatos entre 2002 e 2010, passaram a maior parte do programa trocando acusações e deixando em segundo plano propostas de governo.

Com audiência na casa dos milhões de espectadores, o último debate desta eleição seguiu o modelo adotado no primeiro turno, em que os candidatos puderam administrar o próprio tempo.

Bolsonaro levou para o estúdio dois de seus principais coordenadores de campanha, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, e o marqueteiro Fábio Wajngarten, além do ex-ministro e ex-desafeto Sergio Moro (União Brasil), eleito senador pelo Paraná.

Lula chegou à emissora acompanhado da esposa, Rosângela da Silva, a Janja; do vice de chapa, Geraldo Alckmin (PSB); da ex-ministra Marina Silva (Rede); e da senadora Simone Tebet (MDB). No estúdio, além de Janja, teve como auxiliares de palco a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o marqueteiro da campanha, Sidônio Palmeira.

Confirmando as expectativas, os dois candidatos partiram, logo no primeiro bloco, para a troca de provocações. A primeira pergunta, por sorteio, foi feita por Bolsonaro, que questionou Lula sobre acusações feitas na propaganda petista de que ele iria congelar o salário mínimo e aposentadorias.

Pandemia

No terceiro bloco, com tema livre, Lula retomou a discussão sobre a pandemia e perguntou por que o presidente "esconde" o próprio cartão de vacina e por que cortou recursos do programa Farmácia Popular. Também questionou por que o Brasil, que tem 3% da população mundial, foi responsável por 13% das mortes pela doença em todo o mundo. Bolsonaro defendeu as ações do seu governo e reafirmou que o país foi um dos primeiros a iniciar a vacinação em massa. Não falou sobre o sigilo em relação ao seu cartão de vacina. O petista acusou o adversário de não demonstrar nenhum gesto de solidariedade às famílias que perderam parentes para a pandemia. Disse que o concorrente foi ao velório da rainha Elizabeth, do Reino Unido, "enquanto 640 mil pessoas morreram de covid no Brasil".

Lula indagou Bolsonaro sobre os investimentos do atual governo na área da saúde. "Sabe o que você fez a mais? Comprou 35 mil caixas de Viagra para dar às Forças Armadas. Explique por que, já que o povo não tem sequer fraldão geriátrico", frisou. "Lula, o Viagra é usado para vários tratamentos", disse o presidente. Nessa hora, o petista foi até o adversário e o interrompeu: "Essa eu quero ver você responder, explique". "Eu expliquei: o Viagra é usado para tratamento de (câncer de) próstata", frisou o chefe do Executivo. Foi a deixa para Lula provocar: "Só as Forças Amadas têm direito, por que você não distribui de graça para o povo?"

Outro tópico que entrou na reta final do debate foi a da política de liberação de armas para civis, promovida pelo atual governo. Bolsonaro acusou Lula de se encontrar com "chefões do tráfico" quando visitou o Complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro. "Você propôs aos chefões do tráfico entregar fuzis ou apenas fez média com eles para ganhar votos do pessoal do comunidade?", atacou. "Eu sou o único presidente da República que tem coragem moral para entrar numa favela, ser tratado como ser humano e tratar a todos com respeito. Todo mundo ali é gente trabalhadora, extraordinária", respondeu o petista, que prometeu retomar o controle e a fiscalização das armas no país por meio do Exército.

Na sequência, foi a vez de Lula provocar o adversário informando que o governo cortou todos os recursos orçamentários para proteção da mulher. Bolsonaro defendeu-se afirmando que o Orçamento poderá ser modificado depois pelo Congresso.

Emprego

Na última rodada de debates, com temas pré-definidos, Bolsonaro escolheu falar de geração de emprego, lembrando que os dados deste ano são positivos para a geração de empregos, com uma média de 250 mil vagas abertas mensalmente. Lula revidou, sustentando que os números só são positivos porque foram incluídos na conta o trabalho informal, o trabalho eventual e os microempreendedores individuais. No governo dele, os dados se referiam ao emprego com carteira assinada, que registraram saldo de 22 milhões de vagas. O presidente ressaltou que o Brasil se recuperou da pandemia gerando milhares de empregos.

Foi nesse bloco que Bolsonaro apresentou, pela primeira vez, projetos de governo na área da infraestrutura. Listou uma série de investimentos que deverão ser tocados, se reeleito. "A costa do Nordeste será um oásis com (usinas) eólicas", disse. Elencou, também o futuro metrô de Belo Horizonte, o término da construção da usina nuclear Angra 3 (RJ) e o início da exploração de lítio no Vale do Jequitinhonha (MG).

Lula optou por fazer uma pergunta sobre meio ambiente, destacando a crise climática global. Bolsonaro respondeu apresentando dados que, segundo ele, mostrariam que os números do desmatamento no governo Lula era superiores aos do atual governo. O ex-presidente citou a presença da ex-ministra Marina Silva e se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal. "Eu não vou ficar discutindo os números invisíveis que ele traz e eu nem sei qual é a fonte", enfatizou o petista. "Eu dei a fonte e, se você quiser, depois do evento, discutir com os jornalistas aqui, eu discuto sem problema nenhum", rebateu.

 

Correio Braziliense

VD
Vinicius Doria

 

 

Comentários