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"o ovo da serpente",
Por Tendência
Publicado em 27/10/2026 02:00
Jacson Buonocore

A expressão "o ovo da serpente", inspirada no texto do dramaturgo William Shakespeare e popularizada pelo filme escrito e dirigido pelo aclamado diretor sueco Ingmar Bergman, sintetiza a incubação do autoritarismo e da barbárie.

Esse conceito demonstra que a destruição coletiva não surge do nada: é gerada nos porões da mente e no tecido social quando falhamos em sustentar a alteridade e a razão.

Nesse contexto, as raízes do fenômeno operam em múltiplos níveis, aumentando a miséria psíquica que alimenta o ódio a bodes expiatórios, onde as crises estruturais, a anomia e a cumplicidade normalizam a violência.

Desse modo, o cérebro choca o ovo da serpente por meio do absurdo e da tribalização. Como já compreendiam os filósofos estóicos Sêneca e Marco Aurélio, as paixões destrutivas começam com uma pequena impressão, que culmina na tirania.

Portanto, temos de matar a serpente na casca, o que exige vigilância rigorosa e ações coordenadas. Isso foi alertado pelo psicanalista Wilhelm Reich que, em sua obra Psicologia de Massas do Fascismo, apontou que a ideologia autoritária se alimenta das frustrações, do medo e do desamparo do cidadão comum – tomado pelo sentimento de insignificância.

Hoje, no Brasil e na América Latina, devemos olhar para esse ovo como um chamado à vigilância clínica, social e ética. Seja combatendo a apatia ou exercitando a razão e a atenção plena, a lição permanece urgente, porque é infinitamente mais fácil destruir o mal na origem do que contê-lo após a ruptura da casca.

Jacson Buonocore

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