Dias atrás, uma leitora me perguntou:"Professor, o senhor acredita no amor de Deus?" Olhei para ela e disse que stttim. Mas fiz questão de acalmá-la com o que sinto no fundo da alma: o amor de Deus é de graça. Ele não pede dízimo forçado, nem exige a chave do carro ou da casa para abençoar. Deus não faz comércio com sentimc entos. O amor d'Ele é incondicional; pertence a quem tem o coração aberto, não a quem tem dinheiro.
Logo ao ouvir isso, ela se emocionou e me deu um abraço apertado. Foi um momento gratificante, daqueles que dão sentido a 2 vida inteira de escrita e escuta. Esse abraço me fez lembrar de grandes pensadores que defendiam a leveza do afeto.
Afinal, Espinosa dizia que Deus não é um juiz severo em um trono, esperando bajulação para não castigar. Para ele, Deus é a própria vida acontecendo, a natureza e a paz de quando agimos com o bem. Paul Tillich complementa essa visão mostrando que o amor divino é pura aceitação. Para Tillich, a força da graça é que Deus nos aceita exatamente como somos, mesmo quando nos sentimos inaceitáveis ou cheios de culpa. Não há condições para esse acolhimento.
Assim, Nietzsche explicava que o Jesus real era um homem de leveza e autenticidade admiráveis. Jesus não criou regras complexas, não cobrou pedágio nem alimentava o medo. Para ele, o Reino dos Céus era o aqui e o agora, vivido no amor e na simplicidade.
Por fim, aquele abraço foi a prova disso: sem templos ou taxas, o amor divino se fez presente de forma carinhosa e gratuita entre seres humanos.
Jackson Buonocore
Sociólogo, psicanalista e escritor
buonocorejcb@gmail.com