Operação da PF mira em brasileiro foragido e alvo de sanção dos EUA por suposto elo com o PCC; o que pesa contra ele
Polícia Federal realiza operação para prender Victor Shimada e Stella Stefanie, ambos apontados por Trump, nesta semana, como tendo ligação com o PCC. Shimada está foragido.
Victor Shimada já havia sido condenado no Brasil por lavagem de dinheiro em ação que não faz relação entre ele e o PCC. - (crédito: Polícia Civil de São Paulo)
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (3/7) a Operação Exchange, que apura lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira estão entre os 11 alvos de prisão temporária da PF. A BBC News Brasil apurou que Stella Stefanie foi presa e Shimada está foragido.
Na quarta-feira (1/7), ambos foram sancionados pelo governo de Donald Trump por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Além deles, as empresas de Shimada também foram sancionadas.
Segundo a PF, as apurações indicam que os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptomoedas, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras.
Investigações preliminares identificaram movimentações superiores a R$ 10 bilhões, de acordo com a PF.
Shimada foi condenado pela Justiça Federal no ano passado por lavagem de dinheiro e furto qualificado mediante fraude eletrônica.
Ele foi investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo em um inquérito que apurou irregularidades no contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet.
As investigações levaram à denúncia oferecida à Justiça no ano passado contra Augusto Melo, ex-presidente do Corinthians, expulso do quadro associativo do clube por suposta tentativa de golpe com o patrocínio da VaideBet ao time.
Melo sempre negou as acusações.
Na época, Victor Shimada foi incluído na denúncia e chegou a ser detido provisoriamente por lavagem de dinheiro e furto qualificado. Segundo o Ministério Público de São Paulo, ele teria lavado R$ 35 milhões por meio de diversas contas em forma de criptomoeda.
No inquérito policial, os investigadores destacaram a rotina de voos de Shimada, que comprava bilhetes para diferentes destinos no mesmo dia da viagem.
Além disso, os investigadores destacam que, durante a apuração, foi constatado que Shimada possuía dois veículos, um Audi Q8 e um Porsche Taycan, valendo R$ 465 mil e R$ 593 mil, respectivamente. E que, em 2017, ele era dono de "dois veículos de baixo valor de mercado": um Fiat Palio e um Ford Del Rey, "indicando uma ascensão social acentuada entre os anos de 2017 e 2020".
A BBC News Brasil entrou em contato com a defesa de Shimada mencionada no processo, mas o escritório afirmou que, "por motivo de foro íntimo", os advogados deixaram de representá-lo. A BBC ainda não conseguiu contato com os novos advogados. Não foi encontrado o contato de Stella Stefanie.
Polícia Civil de São Paulo
Victor Shimada já havia sido condenado no Brasil por lavagem de dinheiro em ação que não faz relação entre ele e o PCC.
Suposto elo com o PCC
Todas as empresas sancionadas pelos EUA na quarta-feira pertencem a Victor Shimada: Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda; Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda; Wave Construcoes Inteligentes Ltda; Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (de Portugal).
O Departamento do Tesouro americano afirmou em nota que Shimada atuava "como elo central" entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais de drogas. E que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para remeter valores ao Brasil em nome do PCC.
Segundo a nota, a rede de lavagem de dinheiro do PCC alvo da ação operava principalmente na Flórida e em São Paulo.
O Tesouro americano afirma que uma das empresas de Shimada, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., "foi utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária."
Já Stella é apontada como "parente próxima e associada" de Shimada pelo governo americano. Em seu nome, consta apenas uma empresa: a GP8 Pay.
Segundo o Tesouro, Stella teria trabalhado como secretária de Shimada e atuado como intermediária na coleta "de grandes quantias em dinheiro vivo, prestando serviços logísticos fundamentais para as operações de lavagem de dinheiro conduzidas pela rede."
Na investigação realizada pelo MP e pela Polícia Civil, a fintech de Stella, a GP8 Pay, havia sido apontada pelos policiais brasileiros como sendo 98% de propriedade de Shimada.
Ela não aparece nas investigações brasileiras, que também não fazem relação com o PCC.
O promotor do Ministério Público de São Paulo (MPSP) Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há décadas, afirmou à BBC News Brasil desconhecer essa suposta relação dos sancionados com a facção criminosa.
"Desconheço que esse casal ou essas empresas tenham envolvimento com o PCC, mas não tenho conhecimento das investigações que o FBI e o DOJ [Departamento de Justiça dos EUA] fizeram a partir de alvos ligados ao PCC em Miami. Aqui ele respondeu por outros crimes, inclusive pelo caso da VaideBet e do Augusto do Corinthians. Mas não consta que Victor ou a a Stella sejam ligados ao PCC."
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