Morte do delegado Michel Brasil Saliba foi lamentada pelo presidente Lula - (crédito: Reprodução/Redes sociais)
A morte do delegado da Polícia Federal Michel Brasil Saliba, confirmada nesta sexta-feira (3/7), colocou sob investigação um episódio ocorrido durante o cumprimento de mandados judiciais em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. O policial federal foi atingido por disparos efetuados por um policial militar na manhã de quinta-feira (2/7), durante uma operação contra um esquema de contrabando e lavagem de dinheiro.
O caso mobilizou autoridades federais, levou à decretação de luto oficial de três dias na Polícia Federal e provocou manifestações de pesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Ministério da Justiça e de entidades representativas das forças de segurança.
O que aconteceu
Na manhã de quinta-feira (2/7), equipes da Polícia Federal cumpriam mandados de busca e apreensão em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, quando um policial militar efetuou disparos contra os agentes que entravam em um dos imóveis.
Michel Brasil Saliba e outro agente da Polícia Federal foram atingidos pelos tiros. O delegado foi baleado no ombro, o projétil entrou pela região da axila e atravessou as costas. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital São Vicente de Paulo, mas morreu no dia seguinte. O segundo policial recebeu atendimento médico e teve alta.
Ressponsável pelos disparos, o policial militar foi preso em flagrante.
Como ocorreu a operação
A ação foi conduzida pelo Grupo de Investigação para Repressão à Lavagem de Dinheiro e Crimes Financeiros (Lafin-RS), que apura um sistema financeiro clandestino utilizado para movimentar recursos ligados ao contrabando de mercadorias provenientes de Miami, nos Estados Unidos.
Segundo a investigação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de contas bancárias de 38 pessoas físicas e jurídicas e do sequestro de 56 imóveis. As medidas foram autorizadas pela 11ª Vara Federal de Porto Alegre.
De acordo com a Brigada Militar, o policial militar que efetuou os disparos não era alvo da operação. Os policiais federais cumpriam um mandado judicial relacionado à esposa dele quando os tiros foram disparados.
Quem é Michel Saliba
Natural de Bagé (RS), Michel Brasil Saliba tinha 39 anos, era casado e deixa esposa e dois filhos.
Delegado da Polícia Federal desde setembro de 2023, ele assumiu, em 24 de abril deste ano, a chefia da Delegacia da Polícia Federal em Chuí (RS), cargo que ocupava até o momento da operação.
Após a confirmação da morte, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, decretou luto oficial de três dias na corporação e informou que acompanhará, ao lado dos demais diretores da instituição, os atos fúnebres em Bagé.
Manifestações de pesar
Em publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas do delegado.
"Nossos policiais federais compõem uma das instituições mais admiradas e respeitadas pelos brasileiros, e uma perda desse tipo nos enche de tristeza."
O Ministério da Justiça e Segurança Pública também lamentou a morte do delegado. Em nota, a pasta reconheceu o trabalho feito pelo agente.
"O ministro expressa solidariedade aos familiares, amigos e colegas da Polícia Federal, reafirma o compromisso do Governo Federal de prestar todo o apoio necessário neste momento de dor e registra seu reconhecimento pela dedicação, pelo profissionalismo e pelo compromisso do delegado Michel Saliba com a segurança pública e a defesa da sociedade."
A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) também divulgou manifestação de pesar.
"Neste momento de profunda dor, a Fenapef se solidariza com os familiares, amigos e colegas de trabalho, reafirmando seu respeito e reconhecimento à dedicação e ao compromisso demonstrados pelo colega em sua missão."
A entidade ainda desejou pronta recuperação ao outro policial federal ferido na ocorrência.
O que diz a defesa do PM
A defesa do policial militar, representada pelos advogados José Paulo Schneider e Ricardo Almeida, afirmou que o agente desconhecia que os homens que entraram na residência eram policiais e sustentou que ele reagiu acreditando estar diante de uma invasão
Em nota, os advogados declararam: "A defesa técnica do Policial Militar lamenta o trágico desfecho desta ocorrência. Registra-se, ademais, o mais sincero respeito por toda a corporação da Polícia Federal, em especial à família enlutada.
Explica-se que o Policial Militar foi afastado da suas funções a pedido próprio, para tratar de interesse particular, envolvendo situação de saúde de sua genitora.
Importante salientar, também, que o Policial Militar sempre ostentou conduta profissional ilibada, possuindo diversos registros positivos em seu histórico funcional."
A Associação Beneficente "Antonio Mendes Filho" dos Servidores da Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (ABAMF) informou que o policial estava licenciado das atividades por iniciativa própria para acompanhar o tratamento de saúde da mãe.
Segundo a entidade, o militar não identificou que os homens que arrombaram a porta de sua residência eram policiais federais e reagiu "de forma instintiva para proteção própria e de sua companheira". A associação acrescentou que, após perceber que se tratava de agentes da Polícia Federal, ele teria prestado socorro aos feridos.