A morte brutal de Orelha, um cão comunitário, é um caso que comoveu os moradores da Praia Brava, em Florianópolis, e o país. Os suspeitos são quatro adolescentes de classe média alta que estão sob investigação policial.
Os maus-tratos contra animais no Brasil são tipificados como crime. Eles provocam sofrimentos que ocorrem por negligência ou imprudência. Já a crueldade é uma ação deliberada dos agressores que, nesse caso, levou ao assassinato de Orelha. Na realidade, os maus-tratos contra animais fazem parte de comportamentos que funcionam como marcadores de radicalização violenta de jovens que perderam a noção das consequências no mundo real.
Por isso, os adolescentes que mataram Orelha acreditam que as regras não lhes são aplicáveis. Assim, usam os outros para satisfação própria e busca por adrenalina, revelando que não sentem remorsos, uma vez que contam com a conivência dos pais.
Mas, a psicopatia em adolescentes não deve ser vista apenas como um diagnóstico clínico; é um fenômeno que se manifesta na interação entre os indivíduos e as estruturas sociais. Desse modo, as falhas na socialização desses jovens resultam em pessoas impulsivas que não conseguem se adequar às normas de convívio, tornando-se mais propensas a cometer diversos tipos de crimes.
Portanto, o caso do cão Orelha reforça a necessidade de as famílias e a sociedade educarem os adolescentes sobre os direitos dos animais, além de protegê-los de ambientes virtuais que os estimulam a torturar e matar seres vivos
Jackson Buonocore
Sociólogo, psicanalista e escritor
buonocorejcb@gmail.com