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Um processo judicial envolvendo a casa de apostas Blaze revelou cifras extraordinárias nas operações realizadas pelo advogado Willer Tomaz, conhecido por sua relação de amizade com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Entre 2025 e 2026, Tomaz realizou 53.310 apostas que, somadas, alcançaram R$ 6,6 bilhões, segundo documentos obtidos pela CNN Brasil.
Os registros indicam que o advogado depositou aproximadamente R$ 325,3 milhões na plataforma durante o período analisado. O caso ganhou dimensão política e financeira porque Tomaz também aparece em investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Os números, contudo, exigem uma distinção fundamental: os R$ 6,6 bilhões não representam dinheiro novo depositado na plataforma. Trata-se do volume acumulado das apostas, que contabiliza sucessivas rodadas nas quais valores ganhos podem ser novamente utilizados. <Cite refs={["turn132597view0","turn132597view2"]}/>
Como uma conta chegou a R$ 6,6 bilhões em apostas?
De acordo com os documentos do processo que Tomaz move contra a Blaze no Tribunal de Justiça de São Paulo, os depósitos realizados pelo advogado totalizaram R$ 325,3 milhões, distribuídos em 2.145 operações.
No mesmo período, foram solicitados 4.068 saques, que somavam R$ 266,5 milhões. Desse total, R$ 86,2 milhões foram estornados, de acordo com os registros apresentados no processo.
O valor efetivamente recebido em saques teria sido de R$ 180,3 milhões. Considerando os depósitos e as retiradas efetivas, a diferença negativa chega a aproximadamente R$ 144,98 milhões.
Os documentos também apontam que cerca de R$ 6,41 bilhões retornaram ao apostador como prêmios, distribuídos em 33.255 lançamentos. Isso ajuda a explicar como o volume acumulado das apostas alcançou uma cifra muito superior aos depósitos realizados. <Cite refs={["turn132597view0","turn648813search3"]}/>
Os principais números do processo
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R$ 6,6 bilhões: volume acumulado das apostas.
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R$ 325,3 milhões: total de depósitos registrados.
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R$ 180,3 milhões: valor efetivamente recebido em saques, segundo os documentos.
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R$ 144,98 milhões: diferença negativa entre depósitos e retiradas efetivas.
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53.310: número de apostas realizadas.
Na ação judicial, o advogado pede R$ 163,2 milhões em indenização, alegando falhas da plataforma. A diferença entre o valor solicitado e a perda líquida calculada nos registros não é detalhada no material divulgado pela CNN Brasil. <Cite refs={["turn132597view0"]}/>
Ministério da Fazenda identificou movimentação de R$ 5 bilhões em 2025
A dimensão do caso não se limita ao processo particular contra a Blaze.
Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, apontou que Willer Tomaz movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas durante 2025, considerando as informações analisadas pela pasta sobre plataformas autorizadas no país.
Segundo o documento, o advogado foi a pessoa com o maior volume de depósitos e saques entre os apostadores analisados naquele ano. As operações financeiras somaram cerca de R$ 350 milhões, valor superior ao registrado para o segundo colocado.
A nota técnica também apontou falhas nos mecanismos de fiscalização e prevenção à lavagem de dinheiro da Foggo Entertainment, empresa responsável pela operação da Blaze no Brasil.
Entre os problemas descritos estão a classificação inadequada de clientes de alto risco, falhas na análise de transações atípicas e dificuldades no fornecimento de informações às autoridades. A pasta identificou operações que, segundo sua avaliação, mereciam monitoramento especial, incluindo depósitos milionários concentrados em intervalos curtos.
O Ministério da Fazenda abriu procedimento administrativo para apurar possíveis infrações. Conforme as reportagens consultadas, as sanções em avaliação podem incluir multa de até R$ 2 bilhões e eventual suspensão das atividades, a depender da conclusão do processo. Essas medidas não devem ser confundidas com penalidades definitivas já aplicadas. <Cite refs={["turn132597view1","turn648813search4"]}/>
Polícia Federal investiga suspeitas financeiras
As movimentações atribuídas a Tomaz também são examinadas em investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, os investigadores identificaram movimentação de aproximadamente R$ 130 milhões em uma conta bancária ligada ao advogado entre março e maio de 2025. O volume, concentrado em um intervalo relativamente curto, levantou questionamentos sobre a origem dos recursos e sua compatibilidade com as atividades econômicas conhecidas.
A investigação também examina elementos relacionados à relação financeira entre Tomaz e Flávio Bolsonaro. Reportagens apontaram que o senador aparecia cadastrado como usuário de uma conta bancária associada a uma empresa ligada ao advogado. A assessoria de Flávio nega a existência de conta conjunta.
É necessário, entretanto, separar os fatos: os documentos da ação judicial contra a Blaze não atribuem a Flávio a realização das apostas nem demonstram que o senador tenha participado das operações de R$ 6,6 bilhões. A relação pessoal entre os dois e as referências financeiras investigadas não constituem, por si só, prova de participação em crime.
A campanha de Flávio também contestou a caracterização do senador como formalmente investigado no Supremo Tribunal Federal, afirmando que não havia decisão judicial ou manifestação da Procuradoria-Geral da República que formalizasse essa condição nos autos mencionados. <Cite refs={["turn132597view0","turn132597view1"]}/>
Willer Tomaz contesta os números e afirma que o dinheiro é lícito
A defesa do advogado sustenta que os valores divulgados não correspondem à quantia efetivamente desembolsada e argumenta que os recursos utilizados nas apostas têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e foram declarados à Receita Federal.
Os advogados também questionam a responsabilidade da plataforma e afirmam que a divulgação das cifras durante o período eleitoral pode ter motivação política. A ação judicial busca responsabilizar a empresa por supostas falhas no atendimento e na condução das operações.
Em sua contestação, a Foggo Entertainment, responsável pela Blaze, afirma que as apostas foram aceitas e processadas normalmente e questiona a forma como a defesa calcula as perdas. A empresa também sustenta que cumpre a legislação e adota mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.
A disputa judicial, portanto, envolve versões divergentes sobre os registros financeiros, os limites operacionais da plataforma e a responsabilidade pelas perdas alegadas.
Uma cifra bilionária que exige transparência
O caso reúne três questões distintas: a movimentação extraordinária registrada em uma plataforma de apostas, as possíveis falhas regulatórias apontadas pelo Ministério da Fazenda e a investigação policial sobre a origem e a circulação de recursos financeiros.
O volume de R$ 6,6 bilhões chama atenção, mas não pode ser interpretado como se esse montante tivesse sido depositado de uma só vez ou correspondesse integralmente a dinheiro perdido. O valor acumulado resulta de apostas sucessivas e precisa ser analisado à luz dos depósitos, dos saques, dos prêmios e dos registros contábeis.
Ao mesmo tempo, a magnitude das operações reforça a importância de controles rigorosos sobre transações atípicas, especialmente em um setor que movimenta grandes quantias e está sujeito a regras específicas de prevenção à lavagem de dinheiro.
A apuração da Polícia Federal e o procedimento administrativo do Ministério da Fazenda deverão esclarecer se houve irregularidades e quais responsabilidades podem ser atribuídas aos envolvidos.
Até que essas investigações sejam concluídas, as suspeitas permanecem sob apuração. Os documentos revelam operações de grande dimensão, mas não autorizam concluir, por si só, que o dinheiro tenha origem criminosa ou que Flávio Bolsonaro tenha participado das apostas realizadas por seu amigo.