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França restringe liberdade de circulação depois de protestos
Autoridades francesas decretam toque de recolher no centro de Paris e em cidades do norte que foram palcos de distúrbios no fim de semana. Primeiro-ministro acusa radicais da extrema-esquerda de tentar criar o caos até as eleições presidenciais
Por Tendência
Publicado em 21/10/2026 01:10
Internacional

Funcionário da Prefeitura de Lyon remove pichação da Fonte Bartholdi, em Place des Terreaux - (crédito: Olivier Chassignole/AFP)

Os protestos que se espalharam por Paris e por outras cidades levaram a França a cercear uma das palavras de ordem da Revolução Francesa: a liberdade. As autoridades impuseram toque de recolher parcial em partes da capital e em outras cidades do norte do país, entre 20h desta segunda-feira (19/10) e 6h desta terça-feira (20/10) pelo horário local (das 15h de segunda-feira à 1h desta terça no horário de Brasília). Em Lyon, Lille e Nice, a medida vigorou em áreas específicas das regiões metropolitanas. Nas duas últimas cidades, apenas menores desacompanhados foram proibidos de circular. 

De forma independente, a Prefeitura de Marselha proibiu reuniões e manifestações, ontem. Os protestos começaram com os estudantes, que tomaram as ruas para exigir uma melhoria da educação, mas acabaram incluindo os chamados "coletes amarelos" e outros movimentos sociais, que denunciam o aumento do custo de vida. 

da França e se reuniu com  o prefeito, Benoit Payan. "Não entendo como, em total impunidade, pessoas puderam massacrar a minha cidade durante horas (...) diante dos olhos de indivíduos que deveriam ter intervindo", declarou, ao exigir que o Estado "pague a conta" pelos prejuízos estimados em 28 milhões de euros (ou R$ 140,8 milhões). Nuñez admitiu que a polícia "perdeu o controle". Durante os protestos, mais de mil policiais ficaram feridos, 2.500 manifestantes foram detidos e 67 estão presos.

Sem intimidação

Por sua vez, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou que, na sexta-feira, visitará Limoges, município que se tornou uma espécie de ícone dos distúrbios depois que a prefeitura foi incendiada e a imagem do desabamento da torre ganhou as redes sociais. "Ela é o símbolo de uma nação que não se deixa abater nem se intimidar", declarou o premiê, que prometeu reconstruir o prédio. Lecornu também culpou a extrema-esquerda pelos levantes sociais do fim de semana. "Há um movimento liderado por grupos radicais de extrema-esquerda que, de fato, querem desestabilizar, que querem criar o caos em nosso país até as eleições presidenciais", assegurou. "Não nos deixaremos ditar nem governar pelos infratores, pelos ladrões, pelos criminosos." Na manhã de ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu em sua rede social que "os migrantes tomaram a França". "Eles devem fechar as fronteiras rapidamente", cobrou. 

Os franceses irão às urnas em 18 de abril de 2027 para escolher o próximo presidente. Jordan Bardella, presidente do RN, aproveitou para criticar o governo Macron. "O poder desertou completamente", disse. "Quem vai se beneficiar desse caos, senão Le Pen?", advertiu o seu rival social-democrata, Raphaël Glucksmann, ao defender uma "reação contundente" do Executivo.

EU ACHO...

 

"Faltam seis meses para o dia da eleição. A única decisão que o presidente Emmanuel Macron poderia tomar seria decretar estado de emergência, mas isso equivaleria a uma declaração de guerra contra os manifestantes e resultaria em um caos total. Ele não renunciará. O melhor que pode fazer é ajustar a resposta policial aos distúrbios, colocando mais agentes nas ruas durante os próximos protestos, e solicitar à comunidade de inteligência que atualize as informações sobre os manifestantes."

JEAN-YVES CAMUS, cientista político da Fundação Jean Jaurès (em Paris) 

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