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Desgaste de Trump se aprofunda: desaprovação chega a 58% e aprovação recua
Por Tendência
Publicado em 20/10/2026 00:56
Internacional

A poucos dias de uma das disputas políticas mais importantes de seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta um sinal contundente de desgaste: sua aprovação caiu para 31%, o menor patamar registrado nos dois períodos em que ocupou a Casa Branca, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro de 2026.

O resultado expõe a distância entre a força política que Trump procura projetar e a avaliação de uma parcela expressiva da população sobre sua gestão. Com as eleições legislativas marcadas para 3 de novembro, a queda da popularidade deixa de ser apenas um problema de imagem presidencial e passa a representar um fator de pressão sobre o Partido Republicano, que tenta preservar o controle do Congresso.

O levantamento foi realizado pela internet ao longo de quatro dias e ouviu 1.679 adultos americanos, dos quais 1.279 eram eleitores registrados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para o conjunto dos entrevistados e de três pontos entre os eleitores registrados.

Democratas abrem vantagem na disputa pelo Congresso

A pesquisa traz outro dado relevante para o governo: quando perguntados em qual partido votariam caso as eleições para o Congresso fossem realizadas naquele momento, 47% dos eleitores registrados escolheram os democratas, enquanto 35% optaram pelos republicanos.

A diferença de 12 pontos percentuais é a maior registrada neste ciclo eleitoral pela pesquisa Reuters/Ipsos. Duas semanas antes, a vantagem democrata era de sete pontos, indicando ampliação da distância entre os partidos nesse indicador.

O resultado aumenta a pressão sobre os republicanos, que precisam defender suas posições tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. Uma eventual perda de controle de qualquer uma das Casas poderia dificultar a aprovação de propostas do governo e ampliar a fiscalização parlamentar sobre suas decisões.

É importante, porém, distinguir intenção de voto de resultado eleitoral. A pesquisa oferece um retrato nacional do ambiente político, mas não determina sozinha quem conquistará a maioria do Congresso. As disputas estaduais e distritais, as características dos candidatos e a participação efetiva dos eleitores também pesam no resultado.

Economia e combustíveis ampliam a insatisfação

Entre os principais fatores associados ao desgaste presidencial está a situação econômica. Segundo o levantamento Reuters/Ipsos, 68% dos entrevistados desaprovam a maneira como Trump conduz a economia. O dado chama atenção também por atingir a própria base republicana: 37% dos entrevistados identificados com o Partido Republicano desaprovam sua atuação econômica.

O preço dos combustíveis aparece como uma preocupação importante para os americanos. A elevação dos custos pressiona o orçamento das famílias e amplia a cobrança sobre a administração federal, especialmente em um país no qual o custo de vida e o desempenho econômico têm peso significativo na avaliação dos governantes.

A conjuntura internacional também contribui para a pressão. Reportagens publicadas em outubro relacionam a alta dos combustíveis aos ataques contra o Irã e à crise envolvendo o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. As consequências desses acontecimentos ajudam a explicar por que a política externa e seus efeitos econômicos passaram a ocupar espaço importante no debate doméstico.

O quadro é politicamente delicado: quando a população percebe que os gastos cotidianos aumentam e não encontra respostas satisfatórias do governo, promessas políticas e discursos de força podem perder parte de sua capacidade de mobilização.

Um alerta que vai além da popularidade

A queda da aprovação de Trump não significa, por si só, que seu projeto político esteja derrotado. O presidente mantém uma base de apoiadores, e os republicanos ainda contam com vantagens próprias em determinadas disputas eleitorais. No entanto, os números revelam dificuldades que a Casa Branca não pode tratar como um episódio isolado.

A pesquisa divulgada pela NBC News em outubro reforça esse cenário por outro ângulo. O levantamento apontou que 34% dos adultos aprovavam a atuação presidencial, enquanto 66% a desaprovavam. Além disso, 71% consideravam que o país estava seguindo na direção errada.

Embora os resultados da Reuters/Ipsos e da NBC News não devam ser somados ou tratados como se fossem uma única medição — os institutos utilizaram amostras e metodologias distintas —, ambos registram um ambiente de forte insatisfação com o governo.

O conjunto dos levantamentos indica que a dificuldade de Trump não está restrita a uma pesquisa específica. A desaprovação aparece associada a questões concretas, como economia, custo de vida e combustíveis, e ocorre justamente quando os eleitores se preparam para escolher a nova composição do Legislativo.

Eleições podem limitar a agenda presidencial

As eleições de meio de mandato, conhecidas nos Estados Unidos como midterms, renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado. A votação de 3 de novembro será, portanto, um teste importante para medir o alcance político do governo Trump e a capacidade dos republicanos de manter sua influência no Congresso.

Uma mudança na correlação de forças poderá dificultar a tramitação de projetos presidenciais, aumentar a resistência a iniciativas da Casa Branca e intensificar a atuação dos parlamentares de oposição. Mesmo sem uma derrota formal do governo, a redução de sua margem de apoio parlamentar pode alterar a dinâmica política dos próximos dois anos.

A principal questão é se o Partido Republicano conseguirá mobilizar seus eleitores e conter a insatisfação de grupos que demonstram preocupação com a economia. Para Trump, o desafio é ainda mais amplo: convencer a população de que sua administração oferece respostas para problemas que aparecem diretamente no orçamento doméstico.

O recado das pesquisas

Os números divulgados às vésperas da eleição não decretam antecipadamente o resultado das urnas, mas impõem um alerta claro à Casa Branca. Com apenas 31% de aprovação no levantamento Reuters/Ipsos e uma vantagem democrata de 12 pontos na preferência nacional para o Congresso, Trump chega à reta final da campanha sob pressão política e econômica.

A votação de novembro deverá mostrar até que ponto esse desgaste se converterá em mudanças na composição do Legislativo. Até lá, a combinação de desaprovação presidencial, insatisfação econômica e vantagem democrata nas pesquisas constitui um dos principais desafios enfrentados pelo governo desde o início do segundo mandato.

Mais do que uma disputa entre partidos, o resultado será uma medida da disposição dos eleitores de manter o atual rumo político ou de impor limites à agenda presidencial por meio do Congresso.

 

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