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Roberta Luchsinger é investigada por suspeitas de repasses do Careca do INSS e anuncia intenção de delatar
Empresária afirma que recebeu pagamentos por serviços ligados ao mercado de canabidiol; Polícia Federal apura conexões com o lobista Antônio Camilo Antunes e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha
Por Tendência
Publicado em 18/10/2026 01:49
São Paulo

A empresária e lobista Roberta Luchsinger voltou ao centro das atenções após conceder uma entrevista à CNN Brasil, no sábado (17), na qual afirmou que pretende fazer uma delação premiada e apresentar informações às autoridades. Investigada em apurações relacionadas ao caso das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ela declarou que não pretende poupar pessoas que, segundo sua versão, tenham conhecimento dos fatos.

O nome de Roberta aparece nas investigações que apuram a relação entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As apurações procuram esclarecer a natureza das relações comerciais entre os envolvidos, a origem dos recursos movimentados e a eventual existência de tráfico de influência junto a órgãos públicos.

Roberta nega ter participado de irregularidades e sustenta que os valores recebidos de Antunes estavam relacionados a serviços de consultoria e intermediação no mercado de canabidiol. 

Pagamentos de R$ 1,5 milhão estão entre os pontos investigados

De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo a partir de elementos da investigação, a Polícia Federal identificou transferências que somariam aproximadamente R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes para Roberta, realizadas em parcelas.

Os investigadores apuram a finalidade dos pagamentos e a possível relação entre essas movimentações financeiras e as atividades atribuídas ao lobista no contexto das fraudes previdenciárias. A Polícia Federal também examina mensagens e contatos que podem ajudar a esclarecer a participação de diferentes pessoas e empresas.

A empresária foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025, no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões.

Segundo informações divulgadas sobre o caso, mensagens apreendidas pela investigação também passaram a integrar a análise das relações entre Roberta e Antunes. Entre os elementos noticiados estão conversas que, na avaliação dos investigadores, podem contribuir para esclarecer a movimentação de valores e a atuação dos envolvidos.

A existência de transferências financeiras ou de mensagens sob investigação, entretanto, não comprova isoladamente a prática de crimes. É necessário determinar a finalidade dos pagamentos, os serviços efetivamente prestados e a eventual conexão com recursos de origem ilícita. 

Defesa afirma que os pagamentos eram por serviços de canabidiol

Em manifestação divulgada após depoimento à Polícia Federal, em maio de 2026, a defesa de Roberta afirmou que ela prestou serviços a Antunes relacionados à regulação do mercado de canabidiol no Brasil e recebeu remuneração por esse trabalho.

Segundo a nota, quando conheceu o lobista, a empresária o considerava um empresário do setor farmacêutico e não tinha conhecimento de supostas irregularidades relacionadas aos descontos do INSS. A defesa afirmou ainda que a prestação de serviços e os recebimentos foram encerrados depois da deflagração da Operação Sem Desconto.

Essa versão é central para a apuração: os investigadores precisam esclarecer se os pagamentos correspondem efetivamente aos serviços declarados, se houve outras finalidades e se existe relação entre as atividades comerciais e as suspeitas investigadas.

A defesa também sustentou que Roberta não repassou a Lulinha valores recebidos de Antunes relacionados à contratação. A empresária afirmou, em depoimento, que apresentou o filho do presidente ao lobista antes da operação policial, mas negou que ele tenha prestado serviços de regulação do mercado de canabidiol ou recebido remuneração por isso.

As declarações integram a versão apresentada pela defesa e devem ser confrontadas com os demais elementos reunidos pela Polícia Federal. 

Investigação também alcança relação com Lulinha

Outro eixo das apurações envolve a relação entre Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de influência e possíveis articulações relacionadas a empresas e interesses perante órgãos públicos.

Conforme reportagem da Folha de S.Paulo publicada em julho de 2026, uma das linhas de investigação procura esclarecer uma possível atuação conjunta de Roberta e Lulinha em favor da empresa World Cannabis, ligada a Antunes, no mercado de canabidiol medicinal.

Os investigadores buscam verificar se houve intermediação indevida junto a órgãos públicos e se as relações comerciais tiveram alguma finalidade ilícita. Trata-se de uma frente investigativa que precisa ser distinguida do núcleo principal da Operação Sem Desconto, voltado aos descontos associativos indevidos em benefícios previdenciários.

Lulinha também é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência. Sua defesa nega irregularidades e contesta as suspeitas que o vinculam aos fatos investigados.

Até que os elementos sejam examinados pelas autoridades competentes, não é possível tratar as hipóteses investigativas como crimes comprovados

Roberta diz que pretende colaborar com a Justiça

Na entrevista à CNN Brasil, Roberta afirmou que deseja firmar um acordo de colaboração premiada. Disse que pretende apresentar informações sobre relações e encontros envolvendo pessoas ligadas ao governo federal e declarou que não pretende assumir sozinha eventual responsabilidade por fatos que venham a ser comprovados.

A empresária também afirmou ter presenciado encontros entre Lulinha e ministros do governo Lula. Segundo ela, integrantes do primeiro escalão a procuravam para tentar conseguir agendas com o presidente ou tratar de assuntos relacionados a projetos.

As afirmações foram feitas pela própria empresária e ainda precisam ser verificadas. A realização de reuniões com autoridades, por si só, não caracteriza irregularidade; o ponto central para a investigação é determinar se houve favorecimento indevido, tráfico de influência ou contrapartidas ilícitas.

Uma delação premiada não se concretiza apenas pela manifestação pública de interesse. É necessário que haja negociação com as autoridades competentes, formalização de um acordo e cumprimento dos requisitos legais. O conteúdo de uma eventual colaboração e sua força probatória dependerão das informações e evidências efetivamente apresentadas.

Lula nega envolvimento

Após a entrevista, Lula negou ter envolvimento com Roberta e afirmou desconhecer as tratativas mencionadas por ela. Em nota, o presidente também questionou o momento em que as declarações foram divulgadas, às vésperas do segundo turno eleitoral.

A manifestação do Planalto contesta as afirmações da empresária. Até o momento, as acusações feitas na entrevista não devem ser confundidas com conclusões oficiais da investigação.

A apuração deverá esclarecer se os encontros citados ocorreram nos termos relatados, qual era sua finalidade e se há elementos concretos que indiquem alguma prática ilegal.

Pedido de proteção após entrevista

Além das declarações sobre a investigação, Roberta afirmou temer pela própria segurança e pela das filhas. Ela responsabilizou politicamente Lula caso algo aconteça com sua família, mas essa declaração não comprova que o presidente tenha relação com eventuais ameaças.

Após a entrevista, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou que solicitaria à Procuradoria-Geral da República a inclusão da empresária e das filhas em um programa de proteção a pessoas ameaçadas. O pedido foi motivado, segundo o parlamentar, pela gravidade das declarações e pelo risco que ele considera existir.

A eventual concessão de proteção depende de avaliação pelas autoridades responsáveis. O anúncio do pedido não significa que a inclusão tenha sido aprovada nem que a existência de uma ameaça tenha sido formalmente confirmada. 

O caso segue concentrado no esclarecimento da origem e da finalidade dos recursos recebidos por Roberta, de sua relação com o “Careca do INSS” e dos possíveis vínculos comerciais e políticos com Lulinha. A intenção anunciada de colaborar com a Justiça poderá acrescentar informações à investigação, mas a responsabilidade individual dos envolvidos dependerá das provas reunidas e das conclusões das autoridades.

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