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PEC aprovada por 75 votos a 1 prevê dois dias de descanso remunerado, redução gradual da jornada e proibição de corte salarial; senador Hamilton Mourão, do Rio Grande do Sul,
Por Redação | Portal Tendência O Senado Federal aprovou, na quarta-feira (14 de outubro de 2026), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.
Por Tendência
Publicado em 14/10/2026 23:54
Brasília

A votação terminou com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno. O único senador a votar contra a proposta nos dois escrutínios foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República.

A aprovação representa uma mudança importante nas regras constitucionais sobre jornada de trabalho. A proposta prevê a adoção de uma escala com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado, com implantação progressiva. <Cite refs={["turn784898search0","turn784898search1"]}/>

O QUE MUDA COM O FIM DA ESCALA 6X1?

Atualmente, a legislação brasileira admite, respeitados os limites legais e as regras específicas de cada atividade, jornadas de até 44 horas semanais. Na escala 6x1, o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para ter um dia de descanso.

Com a proposta aprovada pelo Senado, as principais mudanças serão:

  • Jornada semanal de até 40 horas: a redução ocorrerá gradualmente, começando por uma etapa intermediária de 42 horas.

  • Dois dias de descanso remunerado: a escala passa a ser organizada no modelo 5x2, com dois dias de repouso semanal.

  • Preferência pelo domingo: um dos dias de descanso deverá ser preferencialmente aos domingos.

  • Salários preservados: a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial, inclusive proporcional.

  • Limite diário: o texto estabelece jornada normal de até oito horas por dia, observadas as disposições aplicáveis.

  • Contratos em vigor: a mudança alcança também os contratos de trabalho existentes, conforme as condições previstas no texto aprovado.

A proposta ainda contempla medidas transitórias para reduzir possíveis impactos sobre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. <Cite refs={["turn784898search0","turn784898search1"]}/>

QUANDO AS NOVAS REGRAS COMEÇAM A VALER?

O texto aprovado estabelece uma transição em duas etapas:

Primeira etapa — dois meses após a promulgação: a jornada máxima semanal passa de 44 para 42 horas.

Segunda etapa — 14 meses após a promulgação: a jornada máxima semanal chega a 40 horas.

Os prazos são contados a partir da promulgação da emenda constitucional, não da data da votação. Portanto, a aprovação no Senado, por si só, não significa que as novas regras tenham entrado imediatamente em vigor. <Cite refs={["turn784898search0","turn784898search1"]}/>

QUEM VOTOU CONTRA?

Entre os 76 votos computados em cada turno, houve apenas um voto contrário:

Hamilton Mourão (Republicanos-RS) — ex-vice-presidente da República e senador pelo Rio Grande do Sul.

Mourão foi o único parlamentar a votar contra a PEC nos dois turnos. O resultado oficial da votação registra 75 votos favoráveis, um contrário e a participação do presidente da sessão, que não integra a contagem de votos favoráveis ou contrários. <Cite refs={["turn784898search1","turn273787view0"]}/>

QUEM VOTOU A FAVOR?

A relação nominal abaixo reúne os senadores que votaram favoravelmente à proposta no segundo turno, conforme a lista publicada após a votação. A votação foi amplamente favorável, com representantes de diferentes partidos. <Cite refs={["turn273787view0","turn784898search1"]}/>

Lista dos 75 votos favoráveis

Avante

  • Marcos do Val (ES).

MDB

  • Alessandro Vieira (SE);

  • Confúcio Moura (RO);

  • Eduardo Braga (AM);

  • Ivete da Silveira (SC);

  • Jader Barbalho (PA);

  • Marcelo Castro (PI);

  • Renan Calheiros (AL);

  • Renan Filho (AL);

  • Veneziano Vital do Rêgo (PB).

PDT

  • Weverton (MA).

PL

  • Astronauta Marcos Pontes (SP);

  • Carlos Portinho (RJ);

  • Eduardo Gomes (TO);

  • Efraim Filho (PB);

  • Flávio Bolsonaro (RJ);

  • Izalci Lucas (DF);

  • Jaime Bagattoli (RO);

  • Jorge Seif (SC);

  • Magno Malta (ES);

  • Marcos Rogério (RO);

  • Wellington Fagundes (MT);

  • Wilder Morais (GO).

Podemos

  • Giordano (SP);

  • Styvenson Valentim (RN);

  • Zequinha Marinho (PA).

PP

  • Ciro Nogueira (PI);

  • Daniella Ribeiro (PB);

  • Esperidião Amin (SC);

  • Laércio Oliveira (SE);

  • Luis Carlos Heinze (RS);

  • Renzo Braz (MG);

  • Tereza Cristina (MS).

PSB

  • Ana Paula Lobato (MA);

  • Chico Rodrigues (RR);

  • Cid Gomes (CE);

  • Flávio Arns (PR);

  • Jorge Kajuru (GO);

  • Leany Lemos (DF);

  • Soraya Thronicke (MS).

PSD

  • Carlos Fávaro (MT);

  • Carlos Viana (MG);

  • Eliziane Gama (MA);

  • Fernando Dueire (PE);

  • Irajá (TO);

  • Jussara Lima (PI);

  • Lucas Barreto (AP);

  • Mara Gabrilli (SP);

  • Nelsinho Trad (MS);

  • Omar Aziz (AM);

  • Otto Alencar (BA);

  • Sérgio Petecão (AC);

  • Vanderlan Cardoso (GO);

  • Zenaide Maia (RN).

PSDB

  • Dra. Eudócia (AL);

  • Oriovisto Guimarães (PR);

  • Plínio Valério (AM);

  • Sargento Reginauro (CE).

PT

  • Beto Faro (PA);

  • Camilo Santana (CE);

  • Fabiano Contarato (ES);

  • Humberto Costa (PE);

  • Jaques Wagner (BA);

  • Paulo Paim (RS);

  • Randolfe Rodrigues (AP);

  • Rogério Carvalho (SE);

  • Teresa Leitão (PE).

Republicanos

  • Alan Rick (AC);

  • Angelo Coronel (BA);

  • Cleitinho (MG);

  • Damares Alves (DF);

  • Roberta Acioly (RR).

Sem partido

  • Romário (RJ).

União Brasil

  • Jayme Campos (MT);

  • Professora Dorinha Seabra (TO).

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FLÁVIO BOLSONARO VOTOU A FAVOR; MOURÃO, CONTRA

Um dos pontos de destaque da votação foi o voto favorável de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mesmo sendo opositor do governo Lula e tendo feito críticas à proposta anteriormente, o senador votou a favor nos dois turnos.

Hamilton Mourão, também integrante de um partido de oposição ao governo federal, tomou posição contrária. O resultado demonstra que a votação não ficou restrita a uma divisão simples entre governistas e oposicionistas: parlamentares de diferentes partidos apoiaram a mudança.

A posição registrada na votação deve ser distinguida de declarações políticas, críticas anteriores e eventuais propostas alternativas defendidas por cada senador. <Cite refs={["turn784898news31","turn784898news13","turn273787view0"]}/>

QUEM NÃO VOTOU?

A ausência não deve ser confundida com voto contrário.

No primeiro turno, não compareceram:

  • Marcio Bittar (PL-AC);

  • Rogerio Marinho (PL-RN);

  • Sergio Moro (PL-PR);

  • Ciro Nogueira (PP-PI).

No segundo turno, não compareceram:

  • Marcio Bittar (PL-AC);

  • Rogerio Marinho (PL-RN);

  • Sergio Moro (PL-PR);

  • Dr. Hiran (PP-RR).

Ciro Nogueira não votou no primeiro turno, mas votou a favor no segundo. Dr. Hiran, por sua vez, votou a favor no primeiro turno e esteve ausente no segundo. <Cite refs={["turn273787view0"]}/>

O QUE DIZEM OS DEFENSORES E OS CRÍTICOS?

Os defensores da redução da jornada argumentam que mais tempo de descanso pode contribuir para a saúde física e mental, ampliar a convivência familiar e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

Já representantes de setores empresariais apontam preocupações com custos, necessidade de reorganizar turnos e possíveis efeitos sobre pequenos negócios. O texto aprovado prevê medidas transitórias para atenuar parte desses impactos.

Os efeitos concretos dependerão da implementação das novas regras, das características de cada setor econômico e da regulamentação aplicável. <Cite refs={["turn784898search0","turn784898news7","turn784898search1"]}/>

CONCLUSÃO

A aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado, por 75 votos a 1 em dois turnos, estabelece o caminho para uma mudança estrutural na jornada semanal de trabalho no Brasil. O texto prevê a redução gradual para 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários.

O registro nominal também deixa claro que Hamilton Mourão foi o único voto contrário, enquanto Flávio Bolsonaro e senadores de diferentes partidos apoiaram a proposta. A aplicação das novas regras, entretanto, depende dos prazos previstos a partir da promulgação da emenda constitucional.

Fontes: Agência Senado; tramitação oficial da PEC 221/2019; levantamento nominal publicado pela Gazeta do Povo em 14 de outubro de 2026.

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