Irmã, cunhado e outros dois réus são condenados pela morte da cabeleireira Návia Regina Christan, assassinada dentro do próprio salão em Tramandaí

Tramandaí – Depois de quase oito anos de investigação, processos e julgamentos, o Caso Maninha chegou a um momento decisivo nesta sexta-feira (25). O Tribunal do Júri de Tramandaí condenou os quatro réus acusados de envolvimento no assassinato da cabeleireira Návia Regina Christan, conhecida como Maninha.
A sentença foi lida por volta das 21h, no Foro da Comarca de Tramandaí, pelo juiz Gilberto Pinto Fontoura, após dois dias de julgamento.
As condenações encerram uma das mais longas e complexas histórias criminais acompanhadas pela comunidade de Tramandaí. Návia foi morta a tiros dentro do próprio salão de beleza, em 5 de novembro de 2018.
OITO ANOS DEPOIS, A SENTENÇA
A decisão do Tribunal do Júri estabeleceu penas diferentes para os quatro réus.
Silvana Christan, irmã da vítima e apontada pelo Ministério Público como uma das responsáveis pelo planejamento do crime, foi condenada a 30 anos de reclusão.
Joares Antônio Pellinson, cunhado de Návia, recebeu pena de 26 anos e 8 meses.
Robsom Araújo de Moraes Soares foi condenado a 13 anos e 4 meses, enquanto Rosane de Lima Araújo recebeu pena de 5 anos, 6 meses e 20 dias.
UMA MORTE DENTRO DO SALÃO
Na manhã de 5 de novembro de 2018, Návia estava trabalhando quando um homem entrou no salão de beleza onde ela atendia.
O ataque foi rápido. A cabeleireira foi atingida por três disparos e morreu no próprio estabelecimento.
O assassinato chocou Tramandaí e abriu uma investigação que revelou uma história marcada por conflitos familiares, suspeitas de planejamento e uma sequência anterior de violência contra a vítima.
Os dois homens apontados como executores materiais do homicídio foram julgados separadamente e já haviam sido condenados.
MANINHA JÁ HAVIA SOBREVIVIDO A OUTRO ATENTADO
O que torna o caso ainda mais marcante é que Návia já havia sido vítima de uma tentativa de homicídio pouco mais de um ano antes de morrer.
Em 26 de outubro de 2017, a residência da cabeleireira foi invadida e ela acabou baleada no rosto.
Návia sobreviveu, mas ficou com graves sequelas. Os envolvidos naquele primeiro atentado também foram posteriormente levados ao Tribunal do Júri e condenados.
Mesmo depois de sobreviver ao primeiro ataque, a cabeleireira acabaria sendo assassinada em seu próprio local de trabalho.
A TESE DA ACUSAÇÃO
Durante o processo, o Ministério Público sustentou que Silvana Christan e Joares Antônio Pellinson teriam participado do planejamento do homicídio.
Segundo a acusação, conflitos familiares e questões financeiras estariam entre os motivos apontados para o crime.
Ainda conforme a acusação, Rosane de Lima Araújo e Robsom Araújo de Moraes Soares teriam participado da articulação e da intermediação para a contratação dos executores.
As teses apresentadas pela acusação foram submetidas aos jurados, que decidiram pela condenação dos quatro réus.
DOIS DIAS DE TENSÃO NO FORO
O julgamento começou na quinta-feira (24). Durante a primeira etapa, foram ouvidas testemunhas e informantes, incluindo policiais envolvidos na investigação, familiares e pessoas ligadas à vítima e aos acusados.
Nesta sexta-feira, o processo avançou para os debates entre acusação e defesa e, posteriormente, para a votação dos quesitos pelo Conselho de Sentença.
Ao final, veio a decisão: quatro condenações.
AS PENAS
- Silvana Christan: 30 anos de reclusão;
- Joares Antônio Pellinson: 26 anos e 8 meses;
- Robsom Araújo de Moraes Soares: 13 anos e 4 meses;
- Rosane de Lima Araújo: 5 anos, 6 meses e 20 dias.
A situação prisional de cada condenado foi definida na sentença.
UM CASO QUE MARCOU TRAMANDAÍ
A história de Maninha atravessou anos e passou por dois atentados, investigações, prisões e diferentes julgamentos.
Primeiro, a tentativa de assassinato em 2017. Depois, em 2018, a morte dentro do salão onde Návia trabalhava.
Agora, quase oito anos depois do homicídio, o Tribunal do Júri de Tramandaí chegou à decisão sobre os quatro réus julgados nesta semana.
O nome de Maninha, que durante anos esteve associado a um dos crimes que mais repercutiram no Litoral Norte, volta a ocupar o centro das atenções após a sentença que condenou os quatro acusados.