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Temporais deixam rastro de estragos no Rio Grande do Sul e colocam diversas regiões em alerta
Chuva intensa, ventos acima de 100 km/h, granizo, alagamentos e quedas de árvores atingiram municípios gaúchos nas últimas horas; Serra, Vales, Litoral Norte, Região Metropolitana e Zona Sul concentram ocorrências
Por Tendência
Publicado em 21/09/2026 15:14
Clima e Previsão do tempo

O Rio Grande do Sul enfrenta, nesta segunda-feira (21), uma das mais fortes ondas de instabilidade dos últimos dias. A passagem de uma frente fria provocou temporais em praticamente todas as regiões do Estado, com chuva intensa, descargas elétricas, granizo e rajadas de vento que ultrapassaram os 100 km/h em diferentes municípios.

A Defesa Civil havia previsto a possibilidade de tempo severo em grande parte do território gaúcho, com chuva intensa e volumosa especialmente no Centro, Norte, Vales e Serra. Os acumulados poderiam superar 120 milímetros em 12 horas em alguns pontos.

SERRA GAÚCHA: chuva extrema provoca alagamentos e deslizamentos

A Serra está entre as áreas mais atingidas.

Em Caxias do Sul, a chuva começou por volta das 4h50 e acumulou aproximadamente 130 milímetros até as 9h. Mais de 100 redes de drenagem apresentaram problemas, houve transbordamento de estruturas de contenção e famílias precisaram ser retiradas de áreas de risco.

Também foram registrados alagamentos, deslizamentos e quedas de barreiras em diferentes municípios serranos. A Defesa Civil chegou a emitir alertas vermelhos específicos para áreas próximas de Farroupilha, Bento Gonçalves, Veranópolis, Antônio Prado e Flores da Cunha.

Principais cidades da região: Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Gramado, Canela, Nova Petrópolis, Veranópolis e Vacaria.

VALE DO TAQUARI E VALE DO CAÍ: rios entram no radar

No Vale do Taquari, o temporal provocou queda de árvores, barreiras, problemas na rede elétrica e acúmulo de água em rodovias.

Foram registradas ocorrências na ERS-130, RSC-453 e BR-386, além de queda de poste em Cruzeiro do Sul.

A situação hidrológica também exige atenção. A Defesa Civil informa que já foram observados limiares de inundação no rio Caí, em Nova Palmira, e no rio Paranhana, em Igrejinha, enquanto há risco de inundação nos rios Jacuí, Taquari, Caí, Paranhana e Sinos.

Principais cidades: Lajeado, Estrela, Encantado, Arroio do Meio, Cruzeiro do Sul, Taquari, Montenegro e São Sebastião do Caí.

REGIÃO METROPOLITANA E VALE DOS SINOS

Porto Alegre e municípios da Região Metropolitana também foram atingidos por chuva, granizo e ventos fortes.

Na Capital, uma rajada chegou a 106 km/h, acompanhada de chuva forte e granizo.

No Vale dos Sinos, o temporal provocou destelhamentos e queda de árvores. Em Novo Hamburgo, rajadas próximas de 90 km/h atingiram diferentes bairros.

O cenário também preocupa do ponto de vista hidrológico. O Cemaden classificou como alta a possibilidade de eventos hidrológicos nas regiões de Porto Alegre e Caxias do Sul, incluindo alagamentos, enxurradas e inundações urbanas.

Principais cidades: Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Alvorada, Viamão, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Campo Bom.

LITORAL NORTE: vendaval e avanço repentino do mar

O Litoral Norte registrou uma das ocorrências mais incomuns das últimas horas.

Além de destelhamentos, quedas de postes e interrupções de energia, municípios como Capão da Canoa e Xangri-Lá registraram forte avanço do mar durante o temporal.

A MetSul classificou o fenômeno observado em Capão da Canoa como um possível tsunami meteorológico, associado à rápida variação da pressão atmosférica durante a passagem da tempestade.

Também houve bloqueios em rodovias. A queda de árvores interrompeu trechos da ERS-486, em Terra de Areia, e da ERS-407, em Capão da Canoa.

Principais cidades: Tramandaí, Imbé, Osório, Capão da Canoa, Xangri-Lá, Torres, Terra de Areia e Santo Antônio da Patrulha.

ZONA SUL: Pelotas e Rio Grande entre as cidades mais atingidas

Na Zona Sul, os temporais provocaram danos expressivos.

Em Pelotas, ventos chegaram a 89 km/h e foram registrados 42 milímetros de chuva. Mais de 200 chamados foram encaminhados às equipes municipais. Houve destelhamentos, quedas de árvores e estruturas danificadas.

A Prefeitura informou ainda que as estações de tratamento de água estavam inoperantes durante a manhã e que mais de dois quilômetros de lona haviam sido distribuídos para atendimento emergencial.

Em Rio Grande, os ventos chegaram a 113,7 km/h. Foram registrados 36 milímetros de chuva nas últimas 12 horas, além de queda de árvores e postes, rompimento de fios, destelhamentos e danos em imóveis.

Mais de 160 mil consumidores chegaram a ficar sem energia apenas em Pelotas e Rio Grande.

Principais cidades: Pelotas, Rio Grande, Jaguarão, Camaquã, São Lourenço do Sul e Santa Vitória do Palmar.

CAMPANHA E FRONTEIRA OESTE

A Campanha e o Oeste também estavam dentro da área de risco para tempestades, granizo e rajadas fortes.

Municípios como Bagé, Santana do Livramento e Uruguaiana permaneceram sob atenção devido ao potencial de vento forte e instabilidade associado à passagem da frente fria. A Defesa Civil havia incluído a Campanha e áreas do Oeste entre as regiões com possibilidade de tempestades severas.

Até o momento, o levantamento estadual das ocorrências ainda estava em atualização, o que significa que novos registros podem surgir ao longo das próximas horas.

Principais cidades: Bagé, Santana do Livramento, Dom Pedrito, Alegrete, Uruguaiana, São Gabriel e Rosário do Sul.

CENTRO DO ESTADO

Santa Maria e municípios próximos também enfrentaram condições de tempo severo.

Os alertas indicavam possibilidade de chuva intensa, granizo e ventos superiores a 100 km/h. A região Central aparece entre as áreas com risco hidrológico moderado e possibilidade de alagamentos e enxurradas.

Principais cidades: Santa Maria, São Sepé, Santiago, Júlio de Castilhos, Tupanciretã e Cachoeira do Sul.

NORTE E NORDESTE

No Norte e Nordeste gaúchos, a instabilidade avançou com chuva forte e ventos.

Em Ernestina, moradores registraram uma formação de rotação de ar durante a passagem da tempestade. Também houve registros de estragos em Soledade, Nova Alvorada e Espumoso.

A Defesa Civil mantém atenção especial para a metade Norte, onde a previsão indicava os maiores acumulados de chuva do episódio.

Principais cidades: Passo Fundo, Erechim, Soledade, Carazinho, Marau, Lagoa Vermelha e Vacaria.

MISSÕES E NOROESTE

As Missões e o Noroeste também estiveram na rota da instabilidade. Essas regiões já estavam incluídas nos avisos meteorológicos para tempestades, granizo e rajadas intensas.

A previsão oficial indicava continuidade do risco de chuva forte e tempestades especialmente no Noroeste durante a segunda-feira.

Principais cidades: Santo Ângelo, São Borja, Santa Rosa, Ijuí, Cruz Alta, Três Passos e Frederico Westphalen.

RIOS E ARROIOS MERECEM ATENÇÃO

Além dos danos provocados diretamente pelo vento e pela chuva, o principal alerta das próximas horas é hidrológico.

A Defesa Civil informou que as chuvas das últimas 12 horas já provocaram elevação significativa de arroios e rios na Região Hidrográfica do Guaíba. Há risco de alagamentos, enxurradas e extravasamento de cursos d'água.

Os rios Jacuí, Taquari, Caí, Paranhana e Sinos estão entre os cursos d'água que exigem monitoramento devido à possibilidade de elevação dos níveis.

ENERGIA ELÉTRICA É UM DOS PRINCIPAIS IMPACTOS

A força dos ventos provocou danos generalizados na rede elétrica.

Levantamentos divulgados nesta segunda-feira apontaram que mais de 900 mil unidades consumidoras chegaram a ficar sem energia no Estado, em razão de quedas de árvores, postes e danos à infraestrutura.

As concessionárias trabalham para restabelecer o fornecimento, mas novas interrupções podem ocorrer enquanto a frente fria continua avançando.

SITUAÇÃO SEGUE EM MONITORAMENTO

A passagem da frente fria deve reduzir gradualmente a instabilidade no Rio Grande do Sul à medida que o sistema avança para Santa Catarina e Paraná. Mesmo assim, a situação permanece de atenção devido aos rios elevados, áreas alagadas, encostas encharcadas e possibilidade de novas ocorrências localizadas.

O Cemaden mantém atenção elevada para Porto Alegre e Caxias do Sul, além de risco moderado em áreas de Santa Maria, Passo Fundo, Santa Cruz/Lajeado e Pelotas.

A população deve evitar atravessar áreas alagadas, permanecer afastada de árvores e estruturas que possam cair e não transitar por locais com risco de deslizamento ou queda de barreiras.

Os números de ocorrências e os danos ainda estão sendo atualizados pelas prefeituras, Defesa Civil, concessionárias de energia e equipes de emergência. Portanto, o balanço desta segunda-feira poderá aumentar nas próximas horas.

 

Atualização: a matéria considera informações disponíveis até a tarde de 21 de setembro de 2026. Como as equipes ainda estão em campo, alguns municípios ainda não possuem balanço consolidado das ocorrências.

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