Fundada pelo vice-presidente norte-americano J.D. Vance, a Rockbridge Network é apontada por opositores como financiada por capital estrangeiro - (crédito: Reprodução/X)
A participação de uma rede norte-americana de financiadores políticos na política brasileira se tornou alvo de acusações feitas por integrantes do partido Missão e do Movimento Brasil Livre (MBL). O grupo afirma que a Rockbridge Network, ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e fundada pelo vice-presidente J.D. Vance, teria atuado para financiar ilegalmente a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
A legislação eleitoral brasileira proíbe que partidos e candidatos recebam doações de entidades ou governos estrangeiros. A regra levou Renan Santos, candidato à Presidência da República, a questionar publicamente a relação entre a Rockbridge e pessoas próximas da campanha de Flávio.
A acusação foi apresentada por Renan durante um discurso no último sábado (5/9). Na mesma data, Arthur do Val, ex-deputado conhecido como Mamãe Falei, também publicou no X sobre a existência de uma suposta movimentação de dinheiro estrangeiro destinada a uma campanha brasileira.
Também em 5 de setembro, Mamãe Falei teve uma troca acalorada na plataforma social com Tallis Gomes, alvo das acusações do grupo.
A aproximação com Tallis Gomes
As suspeitas levantadas pelo grupo têm como um dos principais alvos o empresário Tallis Gomes, fundador da G4 Educação e integrante da Rockbridge. Gomes participou, em junho, de um painel com Chris Buskirk durante um evento realizado em Nova York.
O candidato do Missão sustenta que Gomes teria passado a representar a organização no Brasil ao lado de Pedro Sang. Segundo Renan, os dois teriam procurado diferentes candidaturas antes de estabelecer uma parceria com Flávio Bolsonaro. Ele também afirmou que a Rockbridge possui interesses em outras áreas, entre elas, terras raras.
A participação de Gomes na rede norte-americana também foi usada por Arthur do Val para questioná-lo publicamente. O ex-deputado mencionou Pedro Sang em suas postagens e pediu explicações sobre quem seria o empresário citado como representante da Rockbridge no país. A discussão entre os dois terminou em uma troca de acusações na plataforma.
Renan Santos detalhou a relação que atribui a Gomes com a organização norte-americana e afirmou que a aproximação teria começado durante uma viagem aos Estados Unidos.
“Fui descobrir que esse cara [Tallis Gomes] foi para os Estados Unidos conhecer uma empresa, uma fundação, chamada Rockbridge, que ajudou J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, a virar vice. São caras que põem dinheiro em eleição. Virou representante deles, junto com um rapaz chamado Pedro Sang. Esses caras vieram para o Brasil e saíram oferecendo apoio a várias candidaturas: Flávio, antes tentaram o Tarcísio, e fecharam com o Flávio. Esses caras trabalham com muitas coisas, entre elas terras raras. Eles entraram na campanha do Flávio, naturalmente e ilegalmente”, disse Renan Santos.
O candidato também associou a defesa de Flávio Bolsonaro a interesses financeiros que, segundo ele, estariam por trás do apoio político.
“Querem fazer vocês crerem que temos que apoiar desesperadamente o ladrão, porque aí estamos salvos. Quem estará salvo são os caras que vão, caso o Flávio vença, ganhar dinheiro com essa merda.”
Nesta sexta-feira (11/9), Renan voltou a fazer alegações em seu perfil do X e disse estar "à disposição da imprensa" com documentos que, supostamente, esclareceriam o envolvimento norte-americano no financiamento da campanha.
Nesta sexta-feira (11/9), Renan voltou a fazer alegações em seu perfil do X e disse estar "à disposição da imprensa" com documentos que, supostamente, esclareceriam o envolvimento norte-americano no financiamento da campanha.
Gomes nega atuação para arrecadar recursos
Tallis Gomes rejeitou a acusação de que tenha trabalhado para levantar dinheiro para a campanha de Flávio Bolsonaro. A negativa foi dada ao colunista Guilherme Amado.
O Correio também procurou o empresário para obter um posicionamento sobre as acusações, mas não havia recebido resposta até o momento da publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.
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