Offline
Brasil busca autonomia tecnológica com vacinas de RNA mensageiro
Com investimento de R$ 210 milhões, país aposta no RNA mensageiro para garantir autonomia e desenvolver novos tratamentos para diversas doenças
Publicado em 03/09/2026 13:57
Tecnologia

A produção de vacinas, como as de RNA mensageiro, é estratégica para a autonomia tecnológica e resposta do Brasil a emergências sanitárias - (crédito: Bernardo Portella/Ministério da Saúde)

O Brasil está investindo R$ 210 milhões para desenvolver plataformas nacionais de vacinas de RNA mensageiro. A iniciativa do Ministério da Saúde busca ampliar a autonomia tecnológica do país e a capacidade de resposta a emergências sanitárias, como epidemias e pandemias.

Ao Correio, Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, afirmou que o desenvolvimento de uma vacina nacional é estratégico porque significa o Brasil ampliar a autonomia tecnológica e a capacidade de responder rapidamente a emergências sanitárias.

Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, fala ao Correio sobre produção de vacinas nacionais

(foto: Divulgação)

“No caso do RNA mensageiro, estamos falando de uma tecnologia de fronteira, que pode permitir o desenvolvimento e a produção de vacinas em uma escala menor e com grande velocidade de adaptação. Isso é especialmente importante diante de epidemias e pandemias, quando a capacidade de produzir localmente pode fazer diferença na resposta do país”, pontua Fernanda.

Os recursos serão destinados à Fiocruz, ao Instituto Butantan e ao Centro de Competência em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O objetivo é dominar uma tecnologia de fronteira que permite o desenvolvimento e a produção de vacinas em menor escala e com alta velocidade de adaptação. A estratégia visa reduzir a dependência de tecnologias externas.

A secretária do Ministério da Saúde frisa que o potencial do RNA mensageiro está na flexibilidade, pois as instruções genéticas podem ser modificadas para combater diferentes doenças, abrindo caminho para vacinas terapêuticas e outros tratamentos inovadores.

As aplicações incluem terapias para o câncer e doenças raras. No centro da UFMG, por exemplo, já existem projetos para vacinas contra:

  • Dengue;

  • Malária;

  • Doença de Chagas;

  • Leishmaniose visceral;
  •  
  • Influenza.
  •  
  • Além disso, o centro mineiro conduz pesquisas em imunoterapia contra o câncer, vacinas com antígenos tumorais e uma metodologia para CAR-T baseada em RNA.
  •  
  • Segundo Fernanda, a pesquisa brasileira pode, sim, ser capaz de competir internacionalmente. “O Brasil está entrando nessa esteira tecnológica ao mesmo tempo que outros países e o RNA mensageiro ainda tem uma avenida muito grande de desenvolvimento e aplicações que não foram completamente exploradas. Quando olhamos para o potencial dessa plataforma para uma série de doenças e novas terapias, percebemos que estamos diante de uma tecnologia que ainda está no início de sua trajetória”, diz a secretária.
Comentários