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A Zona Sul do Rio Grande do Sul enfrenta um cenário de atenção após os temporais registrados entre a noite de quinta-feira (27) e a sexta-feira (28). A combinação de chuva volumosa, granizo, alagamentos e rajadas de vento próximas dos 80 km/h provocou danos em residências, estradas, pontes, prédios públicos e redes de energia em diversos municípios.
O quadro mais recente mostra que Pelotas concentra o maior número de pessoas diretamente atingidas, enquanto Pinheiro Machado enfrenta problemas importantes no interior, com famílias isoladas e pontes submersas. Em Arroio Grande, a situação também assumiu caráter trágico com a morte de um homem de 72 anos, cujo veículo foi arrastado pela força da água.
Pelotas concentra os maiores danos entre as cidades da Zona Sul
Em Pelotas, os estragos foram particularmente expressivos. Mais de 400 imóveis tiveram danos totais ou parciais nos telhados, principalmente nas áreas do Balneário dos Prazeres, conhecido como Barro Duro, e na Colônia de Pescadores Z3.
O temporal também provocou alagamentos em diferentes pontos da cidade e obrigou famílias a deixarem suas casas. No sábado (29), cinco famílias, totalizando 14 pessoas, permaneciam acolhidas na casa de passagem mantida pelo município.
A situação foi agravada pelo elevado volume de chuva. Pelotas acumulou 169,4 milímetros entre quinta e sexta-feira, enquanto as equipes da Defesa Civil continuavam realizando vistorias para dimensionar os prejuízos.
Pinheiro Machado tem famílias isoladas e pontes submersas
Outro município fortemente impactado foi Pinheiro Machado. Foram registrados 65,4 milímetros de chuva em 12 horas, além de granizo e vento.
A água atingiu a sede da prefeitura, um teatro, uma escola e aproximadamente 20 residências. O problema, porém, foi ainda maior na área rural.
Comunidades do interior, incluindo regiões do Passo do Coelho e Passo dos Pires, enfrentaram dificuldades de acesso. Segundo o município, famílias ficaram isoladas e algumas pontes ficaram submersas. Estruturas situadas na divisa entre Pinheiro Machado e Piratini também foram afetadas.
Arroio Grande registra morte
Em Arroio Grande, o temporal provocou uma das ocorrências mais graves registradas na Zona Sul.
Um homem de 72 anos morreu depois que o veículo em que estava foi arrastado pela água durante a madrugada. O corpo foi localizado posteriormente pelas equipes de resgate. O caso integra o balanço estadual de duas mortes provocadas pelos temporais registrados no Rio Grande do Sul nos últimos dias.
Cerrito teve o maior acumulado de chuva
Os dados registrados na região mostram a dimensão da instabilidade.
Na primeira avaliação divulgada pela Defesa Civil, os maiores volumes em 24 horas foram:
- Cerrito: 94,2 mm;
- Jaguarão: 88 mm;
- Pelotas: 67,4 mm;
- Piratini: 65,4 mm;
- Arroio Grande: 54,6 mm.
As rajadas mais fortes chegaram a 77,3 km/h em Pinheiro Machado e 77 km/h em Jaguarão. Cerrito teve vento de 66,9 km/h, enquanto Capão do Leão registrou 66,1 km/h.
Municípios atingidos
A Defesa Civil registrou ocorrências em pelo menos nove municípios da Zona Sul durante o episódio inicial: Rio Grande, Pelotas, São José do Norte, São Lourenço do Sul, Cerrito, Herval, Capão do Leão, Pedro Osório e Pinheiro Machado. Também houve registros de impactos em Santa Vitória do Palmar, Arroio Grande, Jaguarão e outras localidades da região.
Em Herval, houve granizo tanto na área urbana quanto na localidade de Bote. Em Cerrito foram registrados dois episódios de granizo, embora, naquele levantamento, não houvesse danos significativos associados ao fenômeno.
Rio Grande, São José do Norte, São Lourenço do Sul, Pedro Osório e Capão do Leão também registraram granizo, mas as informações disponíveis inicialmente não indicavam prejuízos significativos nessas localidades.
Queda de árvore e interrupção de estrada
Em Santa Vitória do Palmar, uma árvore caiu sobre a Estrada da Hermana, interrompendo temporariamente o trânsito. A via permaneceu bloqueada por cerca de 30 minutos até a retirada da estrutura.
Energia elétrica também foi afetada
O temporal provocou interrupções no fornecimento de energia em diferentes municípios da Zona Sul. No primeiro balanço, mais de 1,2 mil consumidores permaneciam sem energia elétrica.
Herval concentrava o maior número de unidades afetadas, com 491 consumidores, seguido por Rio Grande, com 287. Também foram registradas interrupções em Arroio Grande, Chuí, Pelotas, Jaguarão e São José do Norte.
Um episódio que se soma a uma sequência de chuvas
Os temporais desta semana acontecem em um momento em que a Zona Sul já contabiliza prejuízos expressivos provocados pelas chuvas e cheias ao longo de agosto. Levantamentos municipais e de órgãos técnicos apontam que os prejuízos acumulados na região já ultrapassam R$ 140 milhões, considerando danos em infraestrutura, agricultura, moradias e atividades econômicas. O levantamento ainda é parcial e pode aumentar à medida que as prefeituras concluam as vistorias.
Situação permanece sob monitoramento
Embora algumas cidades tenham registrado uma redução da chuva neste sábado (29), a situação continua exigindo atenção. Em Pelotas, por exemplo, a trégua permitiu que as equipes concentrassem esforços na distribuição de lonas, vistoria de imóveis e atendimento às famílias atingidas.
O balanço estadual mais recente indica que os temporais já provocaram danos em 31 municípios gaúchos, com milhares de pessoas afetadas e duas mortes confirmadas.
Na Zona Sul, Pelotas aparece como o principal foco de danos residenciais, enquanto Pinheiro Machado se destaca pelos problemas no interior e nas estruturas de acesso. Arroio Grande registra a ocorrência mais grave, com uma morte. Cerrito e Jaguarão tiveram alguns dos maiores volumes de chuva, e diversos outros municípios enfrentaram granizo, alagamentos, queda de árvores e interrupções de energia.
Os números são parciais e podem mudar com a conclusão das vistorias municipais e novas atualizações da Defesa Civil.