Da experiência parlamentar ao desafio de disputar o Palácio Piratini, Juliana Brizola construiu uma trajetória política própria, marcada pela herança trabalhista, pela atuação em educação e saúde e pela participação na organização nacional das mulheres do PDT
Juliana Brizola chega à disputa pelo Governo do Rio Grande do Sul em 2026 carregando um dos sobrenomes mais conhecidos da política gaúcha, mas também uma trajetória construída ao longo de anos de atuação partidária, parlamentar e institucional. Neta do ex-governador Leonel Brizola, ela pertence a uma família diretamente ligada à história do trabalhismo brasileiro e, ao longo de sua carreira, procurou estabelecer uma identidade política própria.
Nascida em Porto Alegre, Juliana viveu ainda na infância uma experiência que marcou profundamente sua formação. Em razão do exílio imposto durante a Ditadura Militar ao seu avô, Leonel Brizola, deixou o Brasil aos três anos de idade e passou parte da infância no Uruguai. Posteriormente, acompanhou a família no Rio de Janeiro, para onde retornou em 1982, quando Leonel Brizola foi eleito governador daquele Estado.
A experiência de viver entre diferentes cidades e países durante um período de forte tensão política brasileira tornou a história familiar uma presença constante em sua formação. Ainda jovem, Juliana ingressou no PDT, partido fundado por seu avô, e passou a atuar na organização partidária e nos movimentos ligados à legenda.
Formação acadêmica e retorno ao Rio Grande do Sul
Juliana Brizola é formada em Direito pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro. Depois da graduação, retornou a Porto Alegre, onde aprofundou sua formação acadêmica na área jurídica, com estudos voltados às Ciências Criminais. Fontes biográficas e partidárias registram sua formação como mestre em Ciências Criminais.
O retorno ao Rio Grande do Sul foi decisivo para sua trajetória. Foi em Porto Alegre que ela consolidou sua vida profissional, familiar e política, passando a concentrar sua atuação pública no Estado.
Juliana é mãe de José Inácio e Angelina. A dimensão familiar aparece também em sua narrativa política como parte da relação que mantém com Porto Alegre e com o Rio Grande do Sul.
Os primeiros passos na política
Antes de conquistar um mandato eletivo, Juliana participou da estrutura partidária do PDT e de organizações da juventude trabalhista. Em 2007, assumiu a Secretaria Municipal da Juventude de Porto Alegre, permanecendo no cargo até 2008.
A experiência no Executivo municipal antecedeu sua entrada no Legislativo.
Em 2008, foi eleita vereadora de Porto Alegre pelo PDT e obteve a maior votação entre os candidatos do partido naquele pleito. A eleição marcou sua entrada formal na política institucional e ampliou sua projeção dentro do trabalhismo gaúcho.
Dois anos depois, em 2010, Juliana foi eleita deputada estadual com 61.305 votos, novamente alcançando a maior votação do PDT para a Assembleia Legislativa naquele pleito.
Três mandatos na Assembleia Legislativa
A passagem pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul tornou-se o principal capítulo de sua trajetória parlamentar.
Juliana exerceu três mandatos como deputada estadual, período no qual concentrou parte importante de sua atuação em educação, saúde, políticas sociais, direitos das mulheres, ciência e serviços públicos.
Entre as iniciativas associadas ao seu mandato está a proposta que inseriu a escola de tempo integral na Constituição Estadual. A medida estabeleceu a educação em tempo integral como uma política a ser implementada progressivamente no ensino fundamental.
A educação passou, dessa forma, a ocupar posição central em seu discurso político.
Outra iniciativa de destaque é o Pró-Hospitais, projeto apresentado como uma alternativa para ampliar os recursos destinados à rede hospitalar e filantrópica do Estado. A proposta é apontada pela própria candidata como uma das principais marcas de sua atuação na área da saúde.
Sua atuação parlamentar também incluiu propostas relacionadas à língua espanhola na rede estadual, à proteção das mulheres e ao apoio à amamentação em ambientes de trabalho, além de iniciativas relacionadas à ciência e à inovação.
A construção de uma identidade além do sobrenome
O sobrenome Brizola naturalmente ocupa espaço central na trajetória política de Juliana. Leonel Brizola foi governador do Rio Grande do Sul, governador do Rio de Janeiro, deputado federal e uma das principais lideranças do trabalhismo brasileiro no século XX.
Para Juliana, entretanto, o desafio político passou a ser justamente transformar a herança familiar em uma trajetória própria.
A imprensa gaúcha tem destacado essa característica ao apresentar sua candidatura como uma tentativa de combinar a memória histórica do trabalhismo com uma identidade política construída por sua própria atuação. A candidatura ao Governo do Estado representa, nesse sentido, uma mudança de escala em sua carreira: depois de atuar no município e no Legislativo estadual, ela passa a disputar diretamente o comando do Executivo gaúcho.
Atuação nacional no PDT
A trajetória de Juliana também ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Sul.
Ela assumiu papel de destaque na organização nacional do PDT e tornou-se presidente nacional da Ação da Mulher Trabalhista (AMT), movimento ligado à participação feminina dentro do partido. Em 2026, aparece em atividades nacionais de formação política voltadas à preparação de lideranças femininas para as eleições.
A atuação na AMT ampliou seu espaço político dentro do PDT e colocou Juliana em contato com lideranças femininas de diferentes Estados.
Em encontros realizados em 2025 e 2026, a organização discutiu formação política, participação das mulheres nos espaços de decisão e preparação de candidaturas femininas. Juliana participou desses movimentos como dirigente nacional.
Da disputa municipal à candidatura ao Piratini
Antes de chegar à disputa estadual de 2026, Juliana concorreu novamente à Prefeitura de Porto Alegre em 2024. A candidatura alcançou 136.783 votos, aproximadamente 16,7% dos votos válidos, terminando em terceiro lugar. O resultado manteve seu nome em evidência no cenário político gaúcho e antecedeu sua movimentação para a disputa pelo Governo do Estado.
Em 2026, sua pré-candidatura ganhou dimensão estadual. Posteriormente, foi realizado o ato de lançamento da aliança formada para a disputa do Palácio Piratini, com Edegar Pretto como candidato a vice-governador. A composição anunciada reuniu PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB, PV, Rede e Avante.
A candidatura passou, então, a ser apresentada como um projeto político de abrangência estadual, articulando diferentes forças partidárias.
As principais bandeiras apresentadas
Na apresentação de sua trajetória e de suas propostas, Juliana costuma destacar principalmente educação, saúde, desenvolvimento econômico, segurança pública, proteção das mulheres, ciência e inovação.
Na educação, a defesa da escola de tempo integral aparece como uma das principais marcas de sua carreira parlamentar.
Na saúde, o Pró-Hospitais ocupa posição de destaque. A proposta busca ampliar os mecanismos de financiamento da rede hospitalar e filantrópica, setor responsável por parcela significativa dos atendimentos do Sistema Único de Saúde no Estado.
Na segurança pública, sua formação jurídica e acadêmica na área criminal é apresentada como parte de sua preparação para tratar de temas como criminalidade, crimes digitais e violência contra as mulheres.
Na agenda econômica e de reconstrução do Estado, a candidata também tem defendido maior articulação entre o governo estadual e a União, além de medidas voltadas à recuperação da infraestrutura gaúcha e à preparação do Estado para eventos climáticos extremos.
Uma candidatura marcada pela história e pelo presente
A candidatura ao Governo do Rio Grande do Sul representa o maior desafio eleitoral de sua carreira. Aos 51 anos, Juliana chega ao pleito depois de quase duas décadas de participação direta na política institucional, desde sua passagem pela Secretaria Municipal da Juventude até a atuação como vereadora, deputada estadual e dirigente nacional do PDT.
Sua trajetória também é marcada por uma característica incomum: a política atravessa sua história familiar desde a infância, mas sua carreira eleitoral foi construída posteriormente em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul.
Agora, ao disputar o Palácio Piratini, Juliana Brizola busca transformar essa experiência acumulada em um projeto de governo para o Estado. A campanha apresenta como eixos a educação, a saúde, a segurança, a valorização dos serviços públicos, a participação das mulheres, a ciência, a inovação e a reconstrução da infraestrutura gaúcha.
Mais do que uma disputa marcada pelo sobrenome Brizola, a eleição de 2026 coloca em evidência uma trajetória política construída ao longo de anos e que agora chega ao seu maior teste eleitoral: a tentativa de transformar experiência parlamentar e liderança partidária em uma candidatura ao comando do Rio Grande do Sul.
Comentário Juliana Brizola:
"Eu aprendi em casa que a política é feita para servir às pessoas, e não a interesses pessoais. Foi servindo ao Rio Grande que cheguei até aqui e é assim que pretendo governar o nosso Estado. Tenho muito orgulho de ser neta de Leonel Brizola e carrego esse nome com muita responsabilidade. Mas cada geração tem a sua missão. A minha, hoje, é devolver ao povo gaúcho o que ele realmente merece. Sem perder tempo com brigas. E sim com diálogo, liderança e muito trabalho. Porque o povo gaúcho é forte, resistente e trabalhador. Agora, ele merece um governo que trabalhe tanto quanto ele. Que respeite e valorize tudo o que foi construído até aqui. Mas que tenha coragem para fazer, com trabalho, tudo aquilo que ainda precisa ser feito