Na tentativa de reduzir os efeitos da disputa e melhorar seu desempenho entre as mulheres, Flávio passou a adotar um discurso mais direcionado a esse público, lançando propostas específicas e defendendo que pautas ligadas à proteção feminina também sejam abraçadas pela direita. - (crédito: Felipe Marques/Estadão Conteúdo)
A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta seu período mais delicado desde o início da corrida ao Palácio do Planalto. Em poucas semanas, uma sucessão de episódios colocou o senador no centro de controvérsias políticas, judiciais e eleitorais, obrigando aliados a atuarem em diversas frentes para conter danos e preservar o apoio do eleitorado conservador.
O acúmulo de desgastes inclui a divulgação de áudios relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, os embates públicos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a repercussão da carta de apoio escrita por Jair Bolsonaro — que acabou motivando uma reação do Supremo Tribunal Federal (STF) —, as críticas de setores da direita à estratégia de aproximação com o eleitorado feminino e, a divulgação de uma fotografia ao lado de Luiz Phillipi da Costa de Oliveira, conhecido como “Sicário”, investigado pela Polícia Federal.
A crise mais prolongada teve origem na disputa interna entre Flávio e Michelle Bolsonaro. O conflito, inicialmente relacionado às articulações eleitorais no Ceará, extrapolou os bastidores do Partido Liberal e ganhou as redes sociais após a ex-primeira-dama afirmar publicamente que se sentiu “humilhada” durante as discussões sobre a formação de palanques estaduais. A crise provocou desgaste na imagem de unidade do bolsonarismo e levou Michelle a se afastar da presidência do PL Mulher, movimento interpretado por aliados como uma perda relevante para a campanha.
Na tentativa de reduzir os efeitos da disputa e melhorar seu desempenho entre as mulheres, Flávio passou a adotar um discurso mais direcionado a esse público, lançando propostas específicas e defendendo que pautas ligadas à proteção feminina também sejam abraçadas pela direita. A mudança, contudo, provocou resistência em parte da base conservadora, que passou a acusá-lo de aderir a bandeiras tradicionalmente associadas à esquerda. Em resposta, o senador afirmou que não havia “virado feministo”, mas apenas buscava ampliar o diálogo com um segmento considerado estratégico para a eleição.
Outro foco de desgaste surgiu após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita por Jair Bolsonaro. O documento, lido pelo senador, continha uma manifestação de apoio do ex-presidente à sua candidatura e defendia a união do grupo político. A repercussão levou o ministro Alexandre de Moraes a solicitar esclarecimentos sobre a divulgação e a determinar a suspensão, por 90 dias, das visitas de Flávio ao pai, sob o entendimento de que a publicação poderia contrariar as restrições impostas ao ex-presidente. O caso também passou a ser analisado sob a ótica da legislação eleitoral.
Apesar da sequência de episódios, a direção nacional do PL procura demonstrar tranquilidade. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, minimizou a repercussão da fotografia divulgada na última quarta-feira.
“Fotos, nós tiramos com todos que pedem para tirar.”, disse ao Correio.
No Senado, o líder da oposição, Izalci Lucas (PL-DF), também saiu em defesa do presidenciável após a divulgação da carta de Jair Bolsonaro. Para ele, a atitude do senador foi correta.
“(Flávio) acertou, até porque essa carta não foi a primeira. Foi a quinta. O Lula fez isso quando estava preso. O Zanin fez a leitura da Carta aos Brasileiros.”, disse em entrevista à reportagem.
Apesar da sequência de episódios, a direção nacional do PL procura demonstrar tranquilidade. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, minimizou a repercussão da fotografia divulgada na última quarta-feira.
“Fotos, nós tiramos com todos que pedem para tirar.”, disse ao Correio.
No Senado, o líder da oposição, Izalci Lucas (PL-DF), também saiu em defesa do presidenciável após a divulgação da carta de Jair Bolsonaro. Para ele, a atitude do senador foi correta.
“(Flávio) acertou, até porque essa carta não foi a primeira. Foi a quinta. O Lula fez isso quando estava preso. O Zanin fez a leitura da Carta aos Brasileiros.”, disse em entrevista à reportagem.
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