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Líder neonazista foragido do Brasil é preso na Itália
Condenado por mortes em disputa de grupo neonazista, João Guilherme Correa foi preso em área rural na Itália
Publicado em 27/06/2026 22:52
Polícia

Condenado a mais de 35 anos pelo assassinato de um casal em 2009, João Guilherme Correa aguarda o processo de extradição na Delegacia Central de Milão - (crédito: Divulgação/Polícia Civil do Paraná (PCPR))

A Polícia da Itália prendeu, na manhã deste sábado (27/6), o brasileiro João Guilherme Correa durante uma operação realizada em uma propriedade rural na região de Pavia, localizada a cerca de uma hora de Milão. 

O condenado, que estava foragido da Justiça brasileira desde março de 2025, foi localizado pelas autoridades italianas e, no momento da abordagem, apresentou um passaporte falso. Após a prisão, ele foi encaminhado à Delegacia Central de Milão e deverá permanecer sob custódia até a conclusão do processo de extradição para o Brasil.

Condenação por assassinato 

João Guilherme escapou em 20 de março de 2025, três dias antes de ser condenado a 35 anos e dois meses de prisão pelo assassinato de Bernardo Pedroso e Renata Ferreira, mortos a tiros em 2009, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba.

No mesmo julgamento, Jairo Maciel Fisher recebeu pena de 32 anos e três meses de reclusão. Ambos foram considerados responsáveis pela execução do casal em uma emboscada.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná, o duplo homicídio teve origem em uma disputa pelo controle de um grupo neonazista que defendia a ideologia de Adolf Hitler. O crime ocorreu após uma festa organizada para celebrar os 120 anos de nascimento do ditador alemão.

As investigações apontaram que, depois de deixarem o evento, Bernardo e Renata passaram a ser seguidos por um dos envolvidos. Durante o trajeto, outro veículo interceptou o carro das vítimas no acostamento. Dois homens encapuzados desceram armados e efetuaram diversos disparos, matando o casal no local.

Além da condenação pelos homicídios, João Guilherme ainda responde a um processo por suposta participação na organização neonazista internacional Hammerskin Nation. Conforme a investigação, ele exercia função de liderança no núcleo brasileiro do grupo.

Como ocorreu a fuga

A fuga ocorreu às vésperas do julgamento. Em março de 2025, ele entrou em contato com a central responsável pelo monitoramento de sua tornozeleira eletrônica alegando que precisaria passar por uma cirurgia de emergência e solicitou o desligamento temporário do equipamento.

Após receber orientações sobre a documentação necessária, conseguiu que o dispositivo fosse desativado no dia seguinte. Nem o procedimento médico nem sua presença no tribunal se concretizaram.

Após desaparecer, o condenado permaneceu meses sem ser incluído na difusão vermelha da Interpol. O alerta internacional só foi emitido pela Polícia Federal em outubro de 2025. Já em maio deste ano, a apreensão dos celulares da namorada e dos pais de João Guilherme, realizada pela Polícia Civil de Sarandi (PR), ajudou os investigadores a reconstruir seu trajeto até o exterior.

Contatado pelo Correio Braziliense, o Itamaraty afirmou ainda estar apurando as informações relacionadas à prisão. Segundo a pasta, até o momento da publicação desta matéria, o consulado brasileiro ainda não havia sido formalmente notificado a respeito da detenção de João Guilherme. 

Repercussão na Itália

A prisão repercutiu na Itália. Em nota, o deputado Angelo Bonelli, da Aliança Verdes e Esquerda, afirmou que a captura representa “uma conquista importante na luta contra o neonazismo internacional e contra aqueles que promovem o ódio, o racismo e a violência. As organizações neonazistas representam uma ameaça à democracia e devem ser combatidas com a máxima determinação e por meio de uma cooperação internacional cada vez mais estreita."

 

Esta não é a primeira vez que o deputado se envolve em casos criminais brasileiros. Em 12 de junho deste ano,

Bonelli encaminhou uma carta ao governo da Itália pedindo esclarecimentos sobre o paradeiro de Carla Zambelli.

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