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Conheça o Digimais, banco de Edir Macedo alvo da PF por suspeita de fraude
Fundado há mais de quatro décadas como Banco Renner, o atual Digimais passou por mudanças de controle, tentou ser vendido em 2025 e agora é alvo da Operação Miragem, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional
Publicado em 23/06/2026 13:10
ECONOMIA

Edir Macedo figura entre os investigados por ser o controlador da instituição, mas, como reside no exterior, não foi alvo de mandado de busca - (crédito: Reprodução/ Facebook)

O Banco Digimais, alvo da Operação Miragem da Polícia Federal nesta terça-feira (23/7), foi criado em 1981, em Porto Alegre (RS), com o nome de Banco Renner. Fundada pela família homônima, a instituição passou por mudanças de controle ao longo dos anos e foi reestruturada em 2020, quando adotou a marca Digimais e passou a operar com foco no segmento digital.

A mudança de perfil coincidiu com a consolidação do controle da instituição pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Macedo já era acionista minoritário desde 2009 e, em 2020, adquiriu a totalidade das ações do antigo Banco Renner, assumindo integralmente a gestão da instituição financeira.

Em dezembro de 2025, o Banco Central homologou a nomeação de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, para o cargo de diretor-presidente do Digimais. A chegada do executivo ocorreu em meio a uma tentativa de reestruturação da instituição e de ampliação de sua atuação no mercado financeiro.

Meses antes, em janeiro de 2025, Edir Macedo havia acertado a transferência do controle do banco para o empresário Maurício Quadrado. O grupo comandado pelo empresário, posteriormente rebatizado de BlueBank, chegou a obter aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a operação. No entanto, a negociação acabou não sendo concluída, após a desistência do grupo em razão da deterioração das condições de mercado e da falta de envio da documentação necessária ao Banco Central.

Maurício Quadrado foi sócio e responsável pela área de investment banking do Banco Master entre 2020 e 2024, período em que liderou importantes aquisições da instituição. Em 2024, vendeu sua participação de 30% no banco e iniciou o projeto que mais tarde seria transformado no BlueBank.

Na manhã desta terça-feira, a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para investigar um suposto esquema fraudulento relacionado à gestão do Banco Digimais e a possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Mais de 50 agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo.

Edir Macedo figura entre os investigados por ser o controlador da instituição, mas, como reside no exterior, não foi alvo de mandado de busca. A PF pediu à Justiça o sequestro e bloqueio de bens e valores, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Alícia Bernardes

 

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