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Negócios além da morte: caso Banco Master revela possível mistura entre finanças e serviços funerários em São Paulo
Cemitérios, finanças e poder: o caso Banco Master expõe fragilidades na gestão pública em São Paulo
Por Tendência
Publicado em 25/05/2026 20:06
São Paulo

As investigações sobre a possível ligação entre o Banco Master e as concessões de cemitérios em São Paulo revelam mais do que um caso isolado: escancaram um modelo de gestão pública que pode ter aberto brechas para conflitos de interesse, falta de transparência e uso questionável de ativos públicos.

O processo de concessão dos cemitérios municipais, realizado pela Prefeitura de São Paulo em 2023, foi apresentado como uma solução para modernizar serviços historicamente criticados pela precariedade. No entanto, a entrada de grupos privados no setor, sem mecanismos rigorosos de controle e fiscalização contínua, parece ter criado um ambiente propício para relações pouco claras entre empresas concessionárias e o sistema financeiro.

No centro das suspeitas está a atuação de concessionárias como a Cortel SP, que assumiram a gestão de necrópoles públicas. A presença de pessoas ligadas ao Banco Master em estruturas societárias dessas empresas levanta dúvidas legítimas: até que ponto houve independência real entre os operadores do serviço público e interesses financeiros privados?

Mais grave ainda é a possibilidade de que ativos ligados aos cemitérios — um serviço essencial e sensível — tenham sido utilizados como instrumentos em operações financeiras. Caso confirmada, essa prática indicaria uma distorção profunda do objetivo das concessões, que deveriam priorizar eficiência e dignidade no atendimento à população, e não servir como base para engenharia financeira de alto risco.

O pano de fundo desse cenário é ainda mais preocupante diante das denúncias que envolvem o próprio Banco Master, investigado por suspeitas de fraudes, manipulação de ativos e lavagem de dinheiro. A eventual conexão entre essas práticas e contratos públicos amplia o alcance do problema, aproximando-o de um possível caso de captura institucional — quando interesses privados passam a influenciar decisões e estruturas do poder público.

Outro ponto crítico recai sobre a fiscalização. A atuação da administração do prefeito Ricardo Nunes também entrou no radar do Ministério Público. A investigação busca entender se houve omissão ou falhas no acompanhamento das concessionárias, o que, se confirmado, reforça a percepção de fragilidade nos mecanismos de controle.

O caso evidencia um dilema recorrente no Brasil: a privatização de serviços públicos sem o devido fortalecimento das estruturas de regulação. A transferência da gestão para a iniciativa privada não elimina a responsabilidade do Estado — ao contrário, exige ainda mais rigor na supervisão.

Mais do que apurar responsabilidades individuais, o episódio deve servir como alerta. A gestão de serviços essenciais, especialmente aqueles que lidam com momentos de vulnerabilidade humana, como os funerários, não pode ser tratada apenas sob a lógica do mercado. Transparência, ética e controle público efetivo são indispensáveis para evitar que interesses econômicos se sobreponham ao interesse coletivo

À medida que as investigações avançam, a sociedade aguarda respostas que vão além de eventuais culpados: espera-se uma revisão profunda dos modelos de concessão e dos mecanismos de fiscalização, para que casos como este não se repitam.

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