Acadêmicos de Niterói traz enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil" - (crédito: Reprodução/Emerson Pereira/Acadêmicos de Niterói)
A estreante do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro apostou em um enredo homegeando o presidente Lula no primeiro dia de desfiles. É o da Acadêmicos de Niterói, que abriu os trabalhos na Marquês de Sapucaí neste domingo (15/2). A agremiação chega ao sambódromo após liberação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitou pedidos de liminar para barrar a apresentação e punir o mandatário por campanha eleitoral antecipada.
Com o enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, a escola leva o grito de “Olê, olê, olê, olá! Lula! Lula!” para a Sapucaí. A programação deste domingo conta ainda com os desfiles das renomadas Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira.
A comissão de frente da escola trouxe a história de Lula da passagem da faixa para a sucessora, Dilma Rousseff, ao terceiro mandato do petista. Na performance, Lula aparece com a aliada quando outro personagem entra na trama. Michel Temer rouba a faixa presidencial de Dilma em uma representação do impeachment da ex-presidente e grades cercam o presidente, em um paralelo com a prisão em 2018 na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).
A performance segue com a chegada de artista caracterizado como o palhaço Bozo, referência ao apelido dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que recebe a faixa pelas mãos de Temer. Ele faz gesto de arma e ri de cruzes no chão, representando a pandemia de covid-19. A coreografia mostra ainda o momento em que Lula enfrenta e vence Bolsonaro, que é preso atrás de grades no carro alegórico.
Jornada até a presidência
O abre-alas conta com o carro alegórico “Do alto do mulungu surge a esperança”, que traz elementos do sertão pernambucano para recontar a infância do presidente. Na alegoria, o pé de mulungu, árvore com flores laranjas símbolo do semiárido nordestino, aparece como figura central. A ala dos lavradores representa a profissão dos pais do presidente, sétimo filho do casal de Garanhuns (PE).
O enredo do desfile segue com a jornada da família rumo a São Paulo em decorrência da seca que assolava o Nordeste na época. Dona Lindu e os filhos saíram do estado de Pernambuco em um pau-de-arara, transporte irregular utilizado na região, que dá nome ao segundo carro alegórico.
Na ala das passistas, dançãrinas com figurinos prateados representam a metalurgia, enquando a bateria da escola recebe o nome de Operários Idealistas.
Idas e vindas na Justiça Eleitoral
Anunciado ainda em julho de 2025, o enredo em homenagem ao petista foi alvo de ações na Justiça Eleitoral, protocoladas pelos partidos Novo e Missão, sigla ligada ao Movimento Brasil Livre (MBL). Além de tentar impedir o desfile, o Novo acionou o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCM-RJ) contra o repasse de verbas do estado e das prefeituras do Rio e de Niterói para a escola.
Na decisão do TSE que rejeitou os pedidos, a relatora, ministra Estela Aranha, destacou a impossibilidade de punir fatos que ainda não se concretizaram. “Não se verifica, neste momento, elemento concreto de campanha eleitoral antecipada nem circunstância que permita afirmar, de forma segura, a ocorrência de irregularidade", afirma.
Por Gabriella Braz Correio Braziliense