Após mais de 25 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) voltou a ganhar destaque nas agendas diplomáticas e comerciais dos dois blocos. As negociações foram concluídas em 6 de dezembro de 2024, durante a 65ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, realizada em Montevidéu (Uruguai), quando os líderes anunciaram a conclusão do texto político do Acordo de Parceria entre os blocos.
O pacto, se efetivado, será um dos maiores acordos comerciais do mundo, envolvendo cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de aproximadamente US$ 22 trilhões.
Principais datas e próximos passos
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6 de dezembro de 2024: Anúncio da conclusão das negociações em Montevidéu.
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3 de setembro de 2025: A Comissão Europeia adotou a proposta de decisão para assinatura e conclusão do EU-Mercosur Partnership Agreement (EMPA) e do interim Trade Agreement (iTA), instrumentos legais que estão preparados para assinatura e ratificação.
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Janeiro de 2026: Estados membros da UE aprovaram provisoriamente o acordo, apesar de oposição interna significativa, especialmente de setores agrícolas e governos como o da França.
Fontes diplomáticas também indicam que a assinatura formal do texto ainda depende da ratificação pelos Parlamentos dos países membros da União Europeia e pelos Estados do Mercosul, com possibilidades de ocorrer em 12 de janeiro de 2026 – no Paraguai — embora ainda não haja confirmação oficial de todas as partes.
Líderes e autoridades em cena
No lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem colocado o acordo como prioridade da diplomacia comercial, afirmando em 17 de dezembro de 2025 que o texto teria “a última chance” de ser consolidado ainda em seu mandato durante encontros realizados no Brasil.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também tem reiterado que o acordo “está bem encaminhado” e destacou sua importância estratégica para o comércio brasileiro.
Pela União Europeia, a negociação tem sido liderada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que busca assegurar os votos necessários no Conselho e no Parlamento Europeu para concluir a ratificação do tratado.
Debates e controvérsias
O acordo enfrenta fortes resistências internas na UE, especialmente de países como França, cujo presidente Emmanuel Macron confirmou que seu país votará contra o tratado em função de preocupações com o impacto sobre a agricultura doméstica e as políticas ambientais. Protestos de agricultores foram registrados em várias regiões europeias, incluindo bloqueios de estradas nas proximidades de Paris.
Além disso, partidos de oposição na França chegaram a apresentar moções de intervenção parlamentar contra o governo por causa dessa pauta, refletindo o nível de polarização que o tema tem gerado no país.
Apesar disso, líderes como A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o chanceler alemão Friedrich Merz têm defendido o acordo, ressaltando seus potenciais benefícios geopolíticos e comerciais diante de desafios como a dependência europeia de mercados asiáticos.
Impactos esperados
Se ratificado, o acordo deve reduzir tarifas e barreiras comerciais entre os blocos, com potencial de ampliar exportações sul-americanas de produtos como carnes, soja e açúcar e facilitar a entrada de bens industriais europeus no Mercosul. Analistas estimam que isso pode fortalecer a integração comercial global e diversificar mercados, embora alertem para a necessidade de mecanismos que protejam setores vulneráveis e garantam padrões ambientais robustos.