Linda Hamilton e Michael Biehn participaram de O Exterminador do Futuro, um dos filmes mais lucrativos de todos os tempos - (crédito: Alamy)
Em um episódio da série da HBO Silicon Valley, Thomas Middleditch (Richard Hendricks) está explicando sua plataforma de machine learning (aprendizado automatizado) Pied Piper para participantes de um grupo focal, quando um deles inevitavelmente a compara ao filme O Exterminador do Futuro, de James Cameron, de 1984.
"Não, não, não", insiste o exasperado Middleditch.
"Posso garantir que não há nenhuma situação do tipo Skynet aqui. Não, o Pied Piper não vai se tornar senciente e tentar dominar o mundo."
Tarde demais. Ele perdeu a atenção dos participantes.
Com robôs assassinos e um sistema de inteligência artificial (IA) rebelde, chamado Skynet, O Exterminador do Futuro se tornou sinônimo do espectro de uma IA que se volta contra seus criadores humanos.
Os editores de imagens ilustram rotineiramente artigos sobre inteligência artificial com a caveira cromada do ciborgue assassino T-800 do filme. O roboticista Ronald Arkin usou trechos do filme durante uma palestra de advertência de 2013 chamada "Como NÃO construir um Exterminador do Futuro".

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Linda Hamilton e Michael Biehn participaram de O Exterminador do Futuro, um dos filmes mais lucrativos de todos os tempos
Mas o filme divide opiniões. O filósofo Nick Bostrom, cujo livro Superinteligência, de 2014, popularizou o risco existencial da "IA desalinhada" (inteligência artificial que não está alinhada com os valores e bem-estar humanos), admitiu que sua esposa o "provoca em relação ao Exterminador do Futuro, e o exército de robôs".
Em seu livro The Road to Conscious Machines ("O Caminho para Máquinas Conscientes", em tradução livre), o pesquisador de IA Michael Woolridge dedica um capítulo inteiro a reclamar sobre "a narrativa do Exterminador do Futuro relacionada à IA".
Há filmes influentes mais recentes, e mais plausíveis, sobre inteligência artificial, incluindo Ex Machina e Ela, mas quando se trata dos perigos da tecnologia, O Exterminador do Futuro reina supremo 40 anos após seu lançamento.
"É quase, de uma forma engraçada, mais pertinente agora do que quando foi lançado", disse Cameron ao site The Ringer sobre o filme e sua sequência de 1991, "porque a IA agora é uma coisa real com a qual temos que lidar — e, na época, era uma fantasia."
'Antiarmas and antimáquina'

Dorian Lynskey - BBC Culture