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Demolição do Esqueletão começará em 30 dias e contará com oito etapas; saiba os detalhes
Publicado em 08/01/2024 12:50
Porto Alegre

Após sete décadas de impasses jurídicos e polêmicas, o edifício Galeria XV de Novembro, conhecido como Esqueletão, começará a desaparecer da paisagem do Centro Histórico de Porto Alegre. A estimativa foi dada na manhã desta segunda-feira pelo prefeito Sebastião Melo, que detalhou como ocorrerá o processo de demolição da estrutura.

Não havendo intercorrências, serão cinco meses de obras. Dividida em oito etapas, o desmantelamento do prédio de 19 andares deve iniciar em 30 dias. Até lá, município e a empresa encarregada do serviço, a FBI Demolidora, tratarão da obtenção das licenças necessárias.

Prefeito Sebastião Melo assinou nesta manhã a ordem de início para o serviço, na presença do secretário de Obras, André Flores (E), e do engenheiro Manoel Jorge Diniz Dias, responsável pelo trabalho | Foto: Maria Eduarda Fortes

A primeira e a segunda etapas tratam do licenciamento, instalação do canteiro de obras e o isolamento do edifício com tapumes e uma rede de proteção que cobrirá todos os pavimentos. Na sequência, será realizada a demolição manual dos nove andares mais altos e das duas torres laterais, a partir do uso de ferramentas como marteletes, talhadeiras, ponteiros e máquinas e equipamentos pesados. O bloco central virá abaixo por implosão, que ainda não tem data definida.

De acordo com Manoel Jorge Diniz, engenheiro responsável pela demolição, a opção por um sistema misto de desmontagem do Esqueletão foi escolhido por ser mais rápido e eficiente. Para tal conclusão, foram avaliadas questões envolvendo localização, tipo de construção, logística para a remoção dos escombros, custos e prazos de execução.

“Vamos trabalhar com segurança e eficiência, dentro das melhores práticas e submetidos à fiscalização. Nós já executamos implosões a três metros (de outras construções) sem nenhum tipo de transtorno às estruturas”, assegura.

O secretário de Obras e Infraestrutura da Capital, André Flores, destaca que um estudo será realizado pela empresa contratada para avaliar o procedimento. “Teremos este estudo de como a execução do serviço (implosão) impactará os prédios vizinhos num raio de 500 metros no entorno (do Esqueletão). E em caso de algum problema, há o seguro da obra, mas nossa expectativa é de que não ocorra”, garante Flores.

Não há data marcada para a implosão, uma vez que o procedimento dependerá do andamento das etapas anteriores, contudo, o cronograma da empresa estima para o mês de abril. E o secretário de obras de Porto Alegre diz que todos os prazos e procedimentos serão amplamente divulgados à população. Datas, necessidade de evacuação de prédios vizinhos, bloqueios de ruas serão definidos após o estudo de impacto e de acordo com o progresso da demolição manual.

A empresa contratada para a demolição do Esqueletão tem 40 anos de atuação e mais de 200 implosões realizadas. Recentemente foi responsável pela implosão do prédio da Secretaria de Segurança Pública do RS, que incendiou em 2021 e implodido em março de 2022.

Alterações no trânsito e trabalhos à noite

A promessa é que em nenhum momento dos cinco meses estimados de obra haverá bloqueios de vias, preservando atividades comerciais e trânsito de veículos no entorno do Esqueletão. Contudo, nas primeiras semanas haverá inversão de sentido da rua Floriano Peixoto até a rua Voluntários da Pátria para possibilitar a saída de caminhões que farão a remoção dos entulhos. Tal procedimento ocorrerá de forma temporária e em horários previamente agendados sob a coordenação de agentes da EPTC. “Serão agendados e divulgados com antecedência. É mais ou menos como ocorre com o içamento da Ponte do Guaíba”, comparou o secretário Flores.

Ao passo que o volume de material pronto para ser retirado do canteiro de obras aumentar, a movimentação envolvendo os caminhões passará a ocorrer à noite, minimizando interferências no trânsito.

Comissão de Obras será criada

Para manter a população informada durante a demolição, a prefeitura promoverá reuniões públicas com moradores, comerciantes e entidades representativas da Capital. O primeiro encontro será realizado nesta terça-feira, às 18h, no Centro Administrativo Municipal (rua General João Manoel, 157), aberto a todos os interessados.

A criação de uma comissão de obras foi anunciada também nesta manhã pelo prefeito Sebastião Melo. O objetivo, segundo o chefe do Executivo municipal, é dar transparência ao processo e permitir a participação da sociedade na correção de rumos, caso seja necessário. “Sabemos que obras causam transtornos, e é parte da responsabilidade de assumir uma tarefa desta dimensão. O Esqueletão é um problema antigo da cidade, para resolvermos, temos que lidar com o ônus, e a comissão fará tantas reuniões forem necessárias discutindo ideias e deixando claro cada etapa”, defendeu o prefeito.

Futuro da área após a demolição

Questionado sobre o investimento público de R$ 3,79 milhões, o prefeito Sebastião Melo afirmou que o custo do serviço será cobrado dos atuais proprietários do prédio. Há ainda uma dívida de aproximadamente R$ 4 milhões em IPTU. “O que posso dizer é que, seja judicialmente ou administrativamente, esta conta irá para eles (proprietários)”, disse Melo, que preferiu não dar ênfase ao futuro do terreno após a demolição. “Um passo de cada vez, o importante agora é solucionar este problema para a cidade que já dura décadas”, finalizou.

Números

O serviço no Esqueletão contará com 25 trabalhadores

Serão utilizados aproximadamente 25 quilos de explosivos na fase de implosão

Ao longo dos trabalhos, 12 mil toneladas de entulhos serão removidas da área

A previsão é de que a execução do serviço levará cinco meses

Abandonado desde década de 1950, o Esqueletão tem cerca de 13 mil metros quadrados e 19 pavimentos

Fotos: Maria Eduarda Fortes

Correio do Povo

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